Tácito e Explícito

Já parou para pensar como fazemos bem determinada tarefa ou por que alguém é tão bom em algo que o diferencie dos demais? Não, não estou falando de gênios, superdotados ou milagres, mas nos últimos anos questões como essa têm sido levantadas em torno desse hype que se tornou justamente a Gestão do Conhecimento. E até por conta das demandas nossas de cada dia, ter consciência do que sabemos, do que precisamos saber e de nossas capacidades pessoais e profissionais é uma questão de sobrevivência na era moderna. Sem trocadilhos, precisamos conhecer o conhecimento.

Assim, de forma ampla e não só em GC, o conceito de conhecimento é o de uma combinação de experiência, valores, informações e insights de uma pessoa que leva à incorporação e avaliação de novas experiências e outras informações (1). No entanto, sem academicismo pedante e gratuito, que não é o meu forte, de forma mais simples, o conhecimento pode ser de duas formas, segundo os professores japoneses Nonaka & Takeuchi (2):

  • Tácito, do latim tacitus, quando o conhecimento não pode ser exteriorizado por palavras;
  • Explícito, do latim explicitus, quando o conhecimento está declarado, mostrado, explicado.

Assim, o conhecimento tácito nos leva a entender o chamado know-how, ou como pessoas especiais fazem coisas diferentes (e especiais!), como um craque de futebol se destaca em uma partida, como um artista de sucesso se mantém no topo naquilo que faz, como um alto executivo consegue levar uma empresa a resultados fabulosos, dentre outros exemplos possíveis. Ou seja, como você faz alguma coisa que só você faz, ou o faz acima da média, sem nem mesmo saber muito bem como fez, praticamente sem explicação.

Da mesma forma, pelo conhecimento explícito entendemos também como aprendemos a cozinhar, usar o computador, dirigir, preparar um relatório, gerenciar um projeto, baixar música na internet etc. Isto é, aquelas coisas que alguém, em algum momento, explicou, comentou, escreveu, publicou, ensinou e tornou público, ao alcance de todos.

Agora, pense nisto: de certa forma, cada novo conhecimento tácito já foi, antes, explícito!

Para ficar ainda mais fácil, e se aplicarmos esses conceitos no mundo ao redor?

Devido ao conhecimento tácito...

...Ronaldinho faz gols e jogadas espetaculares, Picasso pintava quadros geniais, Machado de Assis era excepcional na escrita, o superexecutivo brasileiro Carlos Ghosn levou a Nissan ao crescimento, Jimi Hendrix tocava guitarra demais, Michael Jordan era quase imbatível no basquete, Steven Spielberg faz filmes fantásticos... - todos podemos tentar, mas o diferencial é interno!

Já o conhecimento explícito está em...

...gramáticas, orientações, livros de receitas, enciclopédias, manuais, aulas, emails, textos... - todos podemos tentar e o resultado será, na média, eficaz!

E você, o que faz de melhor? Já descobriu qual o seu talento? Já sabe qual o conhecimento tácito que possui em relação àquilo que faz? Qual seu know-how? Pois é, nos dias atuais é o que precisamos saber para nos destacarmos nesse mundo altamente competitivo e voraz. E não me refiro só aos negócios, mas à nossa vida de forma geral, seja qual for a área. Hoje, mais do que nunca, penso que nos conhecermos é o primeiro passo para o desenvolvimento, o crescimento, a evolução, em todos os sentidos.

Referências

(1) DAVENPORT, Thomas H., PRUSAK, Laurence. Conhecimento empresarial: como as organizações gerenciam o seu capital intelectual. Rio de Janeiro: Campus, 1999.

(2) NONAKA, I., TAKEUCHI, H.. Criação de conhecimento na empresa: como as empresas japonesas geram a dinâmica da inovação. Rio de Janeiro: Campus, 1997.(Originalmente publicado em http://www.capitalintelectual.blogger.com.br/index.html. Reproduzido com autorização do autor.)

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