Gestão de Conhecimento em Organizações Portuguesas

No passado dia 6 de Maio, decorreu no Edifício de Formação do ISQ o workshop "Gerir conhecimento na prática". Organizado pela knowman - Consultadoria em Gestão Lda, com o apoio do portal KMOL e do ISQ, o evento tinha como objectivos:

  • explorar iniciativas de gestão de conhecimento (GC) e aprendizagem organizacional (AO);
  • discutir ferramentas, métodos e actividades relacionadas;
  • partilhar experiências de aplicação;
  • identificar os obstáculos que se colocam e formas de os contornar;
  • relacionar a GC e a AO com os sistemas de informação e as tecnologias de informação;
  • perceber o impacto de iniciativas de GC e AO;
  • discutir a implantação da GC e da AO nas organizações portuguesas; e,
  • analisar a cultura das organizações portuguesas e o seu impacto na GC e AO.

Participaram no workshop 10 pessoas, provenientes de 9 organizações: sector financeiro, estado, consultoria, universidades, etc..

Durante sete horas, discutiu-se e aprendeu-se em conjunto. A energia, no final do dia, era grande. Restava apenas um pouco de frustração por poder ser difícil transmitir a outros essa mesma energia.

Depois de uma breve apresentação sobre o que, no seu ponto de vista, é a gestão de conhecimento, Ana Neves partilhou um pouco da sua experiência em programas de gestão de conhecimento e mudança cultural em Inglaterra. Para ela, existem sete processos do conhecimento: adquirir, partilhar, guardar, aceder, validar, auditoria, e utilizar. Quando questionados sobre quais os processos mais fortes (verdes) e menos fortes (vermelhos) nas suas organizações, os participantes responderam como se vê na figura 1.

Situação das organizações representadas

Figura 1 - Situação das organizações representadas

No que diz respeito à gestão de conhecimento nas organizações representadas, domina:

- uma falta de coordenação das actividades isoladas;

- a existência de actividades que, embora na área da gestão de conhecimento, não são assim designadas;

- a falta de objectivos claros; e

- a falta de apoio.

Na sua maioria, estas organizações assistem a uma contínua re-invenção da roda, ao medo de experimentar, aos obstáculos colocados pela hierarquia e pelos títulos, e aos esforços individuais. São tentativas que, embora válidas, ficam aquém do possível pela falta de organização e apoio.

Numa das actividades do workshop, os participantes foram convidados a contar histórias passadas nas suas organizações. Tristes ou alegres, sérias ou cómicas, passadas ou recentes, todas ajudaram a criar uma imagem dos aspectos da gestão de conhecimento mais importantes nas organizações portuguesas:

  • intolerância;
  • comunicação;
  • acesso à informação;
  • burocracia;
  • facilitadores;
  • tempo;
  • liderança;
  • competências;
  • colaboração;
  • importância do contacto pessoal;
  • tecnologia;
  • criatividade;
  • partilha de conhecimento;
  • status quo;
  • redes / comunidades;
  • empowerment; e,
  • objectivos / visão.

Com base nestes tópicos foram seleccionados quatro temas para discussão em pequenos grupos: avaliação, comunidades virtuais, mudança de mentalidade, ligar a gestão de conhecimento aos objectivos de negócio.

No que diz respeito à avaliação, discutiu-se a falta de indicadores e o pouco reconhecimento dos intangíveis. Os métodos quantitativos de avaliação não satisfazem as necessidades dos programas de gestão de conhecimento. Consideram os participantes que, em Portugal, reina a cultura do elogia mútuo onde falta a coragem para uma discussão franca e aberta dos problemas e áreas a melhorar. Para além disso, a avaliação é ainda vista como um mecanismo de controlo e não como suporte à melhoria contínua.

A discussão das comunidades virtuais cedo curvou para um debate sobre a importância do contacto presencial. A confiança é requisito da partilha e nada como olhar alguém nos olhos para construir essa confiança.

Situação de debate

Figura 2 - Situação de debate

A mudança de mentalidade é um processo demorado. É importante que as organizações comuniquem aberta e honestamente, não criando falsas expectativas.

Relacionar a gestão de conhecimento aos objectivos da organização é fundamental. Foi discutido o papel da liderança e a forma como pessoas com baixas qualificações se sentem incapazes de dar ideias.

À saída, os participantes manifestaram a sua satisfação pela franqueza dos colegas, pela discussão aberta, pela possibilidade de partilhar e aprender com experiências e frustrações semelhantes.

Joaquim Feliciano Júnior e Ana Neves

Figura 3 - Joaquim Junior e Ana Neves

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