A Necessidade de Habilitação Profissional para Uso Efetivo do Sistema Data Warehouse

1. Introdução

Ao analisar o passado, percebe-se que, nos últimos cinqüenta anos, a humanidade presenciou mais inovações do que em toda a sua história. A humanidade vivencia a denominada Sociedade da Informação, em que as inovações estão ocorrendo desde a globalização até o advento de novas tecnologias e cujo impacto afeta, principalmente, o mundo da informação e os atores envolvidos em qualquer tipo de processo informacional.

No âmbito organizacional, essa realidade não é diferente, porque um novo paradigma de atuação vem-se impondo, e o uso efetivo da informação é um dos fatores-chave para se obter competitividade, substituindo qualquer vantagem da economia de escala.

O acelerado ritmo da evolução tecnológica de produtos e processos, a globalização, a desregulamentação dos mercados e a explosão informacional são fatores que exigem das empresas, para se manterem competitivas, o estabelecimento de mecanismos de monitoramento em tempo real e que permitam antecipar mudanças no ambiente interno e identificar ameaças e oportunidades. Além disso, é fundamental que as empresas possuam e utilizem ferramentas que as auxiliem, de maneira eficiente e eficaz, o provimento de suporte à tomada de decisão.

Dessa forma, objetivamos analisar as competências e habilidades do profissional da informação nos processos de inserção, transformação e extração de dados em um sistema Data Warehouse.

2. Sociedade da Informação e as Tecnologias de Informação e Comunicação

Nas últimas décadas, uma revolução tecnológica com base na informação tem transformado nosso modo de pensar, de produzir, de consumir, de negociar, de administrar, de comunicar e de viver, constituindo-se numa economia global dinâmica no planeta, ligando pessoas e atividades de distintos lugares e instituições.

O conhecimento tornou-se um dos principais fatores de superação de desigualdades, de agregação de valor, de geração de emprego qualificado e de propagação do bem estar social. Castells (1999, p.437) acredita que “[...] a promessa da Era da Informação representa o desencadeamento de uma capacidade produtiva jamais vista, mediante o poder da mente”. E conclui “penso, logo produzo”.

A chamada Sociedade da Informação, ao que tudo indica, não é um modismo, mas uma profunda mudança na organização e na economia da sociedade, capaz de transformar atividades, uma vez que sua estrutura e dinâmica são, de certa forma, afetadas pela infra-estrutura informacional disponível.

As tecnologias de informação e comunicação, que são geradas e explicitadas através do conhecimento das pessoas que as viabilizam, têm estado, ao longo do tempo, cada vez mais presente na atual Sociedade da Informação, sendo utilizada por indivíduos e organizações, para acompanhar a velocidade com que as transformações vêm ocorrendo no mundo; para aumentar a produção, melhorar a qualidade dos produtos; como suporte a análise de mercados; para tornar ágil e eficaz a interação com mercados, com clientes e até com competidores. (ROSSETTI; MORALES, 2007).

Essas tecnologias são usadas como ferramentas de comunicação e gestão empresarial, de modo que as organizações e as pessoas se mantenham operantes e competitivas nos mercados em que atuam.

Nesse mesmo ritmo cresce a procura pela tecnologia como instrumento de extração do conhecimento humano e de incorporação desse conhecimento, tanto na cultura quanto nos processos de gestão organizacionais e até como forma de gestão do conhecimento.

Entretanto, apesar de muitas organizações investirem milhões em tecnologia, somente essa não é suficiente, pois existem outros fatores que são intrinsecamente ligados às características humanas, muitas das quais impenetráveis pela tecnologia.

Catarino (2006) declara que para que as organizações possam competir de igual para igual no mercado, elas necessitam de recursos humanos (os usuários finais e os especialistas em TIC – Tecnologia da Informação e Comunicação), de hardware (máquina e mídia), software (programas e procedimentos), dados (banco de dados e bases do conhecimento) e redes (mídia de comunicação e apoio de rede) para executar procedimentos de entrada, processamento, produção, armazenamento e controle que convertem recursos de dados em produtos de informação.

Assim, a mera existência de informação não é suficiente, sendo necessário agregar valor a elas, através de tecnologias informacionais eficientes e mão-de-obra qualificada, para tratar esse insumo tão essencial na sociedade da informação.

3. O sistema Data Warehouse

O sistema Data Warehouse, também conhecido como armazém de dados ou depósito de dados, é um sistema de computação utilizado para armazenar informações relativas às atividades de uma organização, em banco de dados de forma consolidada.

Essa tecnologia surgiu como conceito acadêmico para a análise de informações com simples geração de relatórios, no entanto, com o amadurecimento dos sistemas de informação empresariais, as necessidades de análise dos dados cresceram substancialmente, influindo na evolução desse tipo de sistema.

O objetivo desse sistema é o fornecimento de informações confiáveis, ágeis, flexíveis, integradas para apoiar o processo decisório e oferecer suporte à tomada de decisão, bem como para a previsão de eventos futuros.

No entanto, investir nesse mecanismo de tratamento de dados requer, além da verba empregada, a certeza da habilidade do profissional envolvido, pois ele traz consigo a consolidação de dados inconsistentes oriundos dos sistemas transacionais da organização, descoberta de informações estratégicas antes ocultas, dentre outros. Entretanto, para usufruir das vantagens dessa tecnologia, uma soma considerável de recursos, tanto financeiros quanto de tempo e pessoal, deve ser despendida.

Souza (2003) afirma também que a movimentação de tais dados para o ambiente Data Warehouse pode demandar muito tempo de trabalho, de sorte que essa transferência de dados do ambiente operacional para o ambiente Data Warehouse consiste numa das fases mais críticas e dispendiosas, quando da aplicação desse sistema, abrangendo três atividades correlatas, conhecidas como inserção, transformação e extração dos dados.

A construção dessa tecnologia exige a transferência e transformação dos dados existentes em sistemas corporativos, utilizados nas operações diárias de controle e operações, para uma base de dados independente que ficará disponibilizada para os usuários e mantida por meio de processo diferenciado dos sistemas em operação transacional normal à empresa.

A tarefa de extração de dados tem por objetivos principais a definição do escopo do projeto de Data Warehouse, a identificação e a análise das fontes de dados, tanto internas quanto externas à organização e a especificação dos programas que farão essa extração.

Dessa forma, as origens de dados de um sistema do tipo Data Warehouse são as mais diversas possíveis, podendo, portanto, ter características variadas; assim, dessa heterogeneidade é que surgem as grandes dificuldades dessa fase.

Além disso, pode haver diferenças de unidades, de precisão, de códigos ou expressões, de granulidade e/ou de abstração. A partir desses problemas, percebe-se a necessidade de um minucioso processo de padronização e conversão dos campos para um formato único, assegurando a qualidade e integração.

A última etapa é a inserção de dados para o novo ambiente, sendo necessárias rotinas de atualizações, com a finalidade de propagar para o Data Warehouse as modificações ocorridas nos sistemas-fonte.

Essa manutenção de dados, segundo também possui uma enorme complexidade, devendo-se levar em consideração, no momento da atualização, a necessidade de verificar a integridade dos dados, bem como a atualização, ou seja, se será incremental (somente propagados os dados modificados nos sistemas-fonte) ou se será total (todos os dados são novamente propagados).

Para Souza (2003), esse sistema possibilita a análise de grandes volumes de dados coletados dos sistemas transacionais, através das chamadas séries históricas, que tornam possível uma melhor análise de eventos passados, favorecendo, dessa forma, os relatórios, a análise de grandes volumes de dados e a obtenção de informações estratégicas que podem facilitar a tomada de decisão.

Portanto, essa tecnologia é adequada à análise de negócios e ao apoio à tomada de decisões gerenciais e estratégicas.

4. Profissional da informação: sua contribuição para o sistema Data Warehouse

Por meio da observação da implantação do sistema Data Warehouse, nas organizações, percebe-se que existem algumas dificuldades em relação aos processos de filtragem, análise, síntese e disseminação da avalanche informacional disponível.

Nesse cenário, os profissionais da informação (Bibliotecários, Arquivistas, etc) podem atuar como analistas de negócio, uma vez que podem ajudar a transformar dados em informações relevantes e aplicar instrumentos que permitam o compartilhamento do conhecimento corporativo.

Ferreira (2005) enumera a classificação de fontes de informação, o acesso, a recuperação e análise da informação, a união de conhecimento e experiências das pessoas dentro da organização e o trabalho com a proteção do conhecimento como oriundas da área da Ciência da Informação.

Quanto à identificação e análise de fontes, o profissional da informação possui afinidade com identificação, coleta, filtragem, organização e disseminação de fontes de informação, bem como realização de pesquisas.

Os dados precisam ser coletados de suas fontes e armazenados em uma área intermediária, por meio de rotinas de extração, cuja estrutura permite o uso de diversas técnicas para a realização desse processo de captura dos dados das fontes, classificadas em estática ou dinâmica.

No entanto, Ferreira (2005) salienta que algumas competências e habilidades são necessárias para se trabalhar com as referidas ferramentas:

  • O conhecimento do ambiente de negócios da informação
  • A distinção e localização de informações relevantes
  • O domínio na operação de sistemas ou software específico (no caso presente, o sistema Data Warehouse)
  • Familiaridade na administração de infobusiness
  • Embasamento teórico e prático sobre o funcionamento das organizações virtuais de informação
  • Domínio da lógica dos sistemas de indexação e webfinders.

Dessa forma, pode-se perceber que esse profissional precisa ter conhecimentos específicos sobre métodos, técnicas e ferramentas de gestão da informação e do conhecimento, assim como as organizações precisam de profissionais que combinem a capacidade de gerenciamento com o conhecimento técnico, além de possuir uma visão ampla do negócio da organização em que estiverem atuando, bem como ter competência na especialidade escolhida, aliada a uma cultura geral ampla.

Todavia, somente tais habilidades não bastam, fazendo-se necessário o aprendizado contínuo com a capacidade de se aprimorar e desenvolver-se constantemente, visto que seu objeto do trabalho é a informação, e a informação passa por transformações em ritmo acelerado.

5. Considerações finais

Através deste estudo observa-se que o sistema Data Warehouse tem-se mostrado uma poderosa ferramenta para a prospecção e análise informacional. No entanto, sem a participação de pessoas habilitadas em lidar com tal ferramenta, a organização pode perder uma infinidade de informações ou, no mínimo, obter informações que não possuam nenhuma finalidade prática.

Espera-se ter contribuído e gerado algumas reflexões quanto ao importante potencial que o profissional da informação possui, no que tange a lidar com a avalanche informacional que gera angústia aos usuários e desenvolvedores de sistemas baseados em tecnologia, que visam a fins organizacionais estratégicos.

Referências

CATARINO, Maria Elisabete et al. Tecnologias de informação aplicadas à tomada de decisão visando a competitividade organizacional. In: VALENTIM, Marta Lígia Pomim (Org.). Informação, conhecimento e inteligência organizacional. 2.ed. Marília: FUNDEPE, 2006.

CASTELLS, Manuel. Fim do Milênio. São Paulo: Paz e Terra, 1999. (A Era da Informação: economia, sociedade e cultura, 3)

FERREIRA, Danielle Thiago. Profissional da informação e a gestão do conhecimento: perfil de habilidades demandadas por empresas de recrutamento e seleção de recursos humanos. In: SOUTO, Leonardo Fernando (Org.). O profissional da informação em tempo de mudanças. Campinas: Alínea, 2005.

ROSSETTI, Adroaldo; MORALES, Aran Bey. O papel da tecnologia da informação na gestão do conhecimento. Ciência da Informação, Brasília, v.36, n.1, p.124-135, jan./abr. 2007.

SOUZA, Carla Oran Fonseca de. Desenvolvimento de aplicações ETL como uma proposta para redução de custos em projeto de Data Warehouse. Recife: UFPE, 2003. Dissertação (Mestrado em Engenharia Elétrica com ênfase em Redes de Computadores). Universidade Federal de Pernambuco.

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