Quem deve fazer entrevistas em auditorias de conhecimento

Não é segredo que sabemos mais do que pensamos saber e que usamos o que não sabemos saber, constantemente, no nosso dia-a-dia. E, porque não sabemos bem o que sabemos, ficamos espantados quando conseguimos fazer coisas que não pensávamos conseguir ou quando respondemos a questões a que não sabíamos ser capazes de responder.

Foi espanto que senti quando, durante o workshop "Gerir conhecimento na prática" que facilitei no dia 30 de Janeiro em Oeiras, me ouvi responder a uma questão com palavras que nunca tinha exteriorizado e saberes de que nunca me tinha consciencializado.

A questão era sobre auditorias de conhecimento e, mais especificamente, sobre qual o tipo de pessoa mais indicado para realizar entrevistas: pessoas internas à organização (colaboradores) ou externas (consultores).

A resposta que dei é que, como em tudo, depende. No entanto, como "rule of thumb", se existe na organização um grande espírito de equipa e amor à camisola, um consultor externo pode não conseguir extrair os aspectos menos positivos e os maiores obstáculos aos processos de conhecimento na organização.

No caso de uma organização em que não há muito sentido de um todo e em que os colaboradores se sentem empregados, um consultor externo tem muito mais probabilidades de obter a informação necessária para criar uma imagem real da situação da organização face aos processos de conhecimento.

Claro que não é ciência ou teoria comprovada. No entanto, depois de ter dito isto, tenho pensado bastante e estou convencida de que o que disse, sem pensar, reflecte a experiência que adquiri ao longo dos últimos seis anos, fazendo auditorias de conhecimento como consultora externa e como empregada das próprias organizações (como por exemplo o que fiz na NHS).

É espantosa a forma como o nosso cérebro funciona e nos surpreende!

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