Speednetworking: a minha Experiência

Muitos já terão ouvido falar de eventos de speed dating. Isto, é, eventos onde os participantes têm oportunidade de, num curto espaço de tempo, conhecer várias pessoas com vista a um relacionamento emocional. Passando apenas alguns minutos com cada pessoa, “rodando” ao som do apito, este modelo joga com o facto de as primeiras impressões serem muito determinantes na decisão de investir mais tempo numa relação, e com o facto de remover qualquer sentimento de culpa ou obrigatoriedade se não houver vontade mútua para um segundo encontro.

Pois bem, esse conceito foi adaptado e tem estado a ser aplicado num contexto profissional com o objectivo de proporcionar o contacto com potenciais parceiros, clientes ou fornecedores. Com o título de SpeedNetworking, em Portugal, este tipo de eventos tem estado a cargo da Big Eventos.

Considero um conceito muito interessante e com muito para dar certo mas, comigo, é ver para crer e, como tal, resolvi experimentar. A semana passada fui a um desses eventos.

Estávamos cerca de 20 pessoas. O facto de muita gente já ter ido de férias deve ter contribuído para o número relativamente baixo de participantes. Isto teve uma consequência muito positiva: tive oportunidade de falar com praticamente todos os outros participantes. Tal não teria sido possível se houvesse mais pessoas (o número máximo é de 72 pessoas).

Os participantes vinham de áreas bastante distintas: marketing, coaching e formação, apoio a start-ups, apoio à criação de escritórios na Europa, psicologia, ginásios, gestão de RH, etc.. Em comum, todos os participantes vinham de micro e pequenas empresas na busca de parceiros e, se possível, clientes.

O evento começou no hall de entrada no hotel onde, em torno do café e dos bolinhos, fomos encorajados a começar a conversa. Esta conversa não era organizada.

Uma das belezas do speednetworking é o facto de ajudar a conversa inicial, oferecendo uma estrutura (do género “eu sou muito tímido e não tenho coragem de falar sobre a minha empresa mas fui posto aqui à tua frente e disseram-me que tenho de falar, por isso vou falar mas não fui eu que quis”). Ao criar aquele “espaço” (físico e temporal) antes do evento propriamente dito começar, estão a “forçar” as pessoas a algo de que muitas não gostam e que pensavam evitar ao inscrever-se num evento daqueles.

A outra beleza do speednetworking é que só temos de “aguentar” alguém durante alguns, poucos, minutos. Se virmos potencial no que a pessoa pode trazer à nossa empresa, podemos continuar a conversa posteriormente; se não, é só esquecer, descansados que só gastámos 5 minutos do nosso tempo e que não não devemos nada a ninguém. Mais uma vez, aquele “espaço” inicial fez com que falássemos bem mais do que 5 minutos com algumas das pessoas, algumas das quais com quem não encontrámos qualquer potencial de colaboração futura. E como se não bastasse o tempo que “perdemos” com elas antes do evento, ainda tivemos de nos sentar com elas durante 5 minutos durante o evento. E os 5 minutos que eram supostos ser de perguntas iniciais simples e exploratórias, tornaram-se bem compridos pois as perguntas básicas já haviam sido perguntadas e agora já não tínhamos mais nada para perguntar. E não tínhamos escapatória!

Os cinco minutos, o tempo que nos é dado passar com cada um dos participantes (ou com alguns dos participantes quando são demasiados), parecem suficientes para se decidir se queremos aprofundar mais o conhecimento sobre uma dada empresa, se a pessoa que ali a representava inspira confiança, etc..

Apesar disso, cinco minutos passam depressa e, nalguns casos, tive pena de não poder passar mais uns minutos com a pessoa, mas... se passasse mais tempo com aquela não poderia conhecer a seguinte e, agora que o evento acabou, posso sempre entrar em contacto com ela e fazer todas as perguntas que ficaram por perguntar.

O evento contou ainda com uma pequena apresentação que, nesta sessão, esteve a cargo de Sara Batalha que falou da arte de falar em público e do impacto que boa comunicação tem no sucesso de uma organização.

O custo de participação não é uma barreira já que o preço é mais do que justo e bastante acessível, mesmo para pequenas empresas e start-ups.

O veredito final sobre este tipo de eventos: muito interessante, com grande potencial de gerar contactos, divertido (diria mesmo), mas, no meu entender, deveria perder o “espaço” de conversa inicial. Ou seja, os participantes deveriam entrar na sala do evento e sentar-se nos seus lugares sem ter conversado com ninguém. Só assim se poderá tirar máximo partido da beleza deste formato. Conversa não estruturada, deveria ser apenas no final.

Para finalizar, alguns pequenos conselhos para quem quiser participar (com base na minha experiência):

  • se se inscreveu para evitar as conversas não-estruturadas, chegue mesmo em cima da hora marcada para o início (a fim de evitar a conversa em torno do cafezinho)
  • leve muitos cartões de visita com todos os seus dados de contacto
  • sinta-se à-vontade para levar folhetos e material promocional da sua empresa - os outros participantes não só não levarão a mal como alguns quase estarão a contar com isso
  • prepare bem o que quer dizer sobre a sua empresa - o "elevator pitch" deve estar bem ensaiado e deve ser bastante interessante para que a outra pessoa se sinta verdadeiramente interessada em continuar a conversa depois dos 5 minutos.

1 comment

  1. Jacqueline Ricarte 6 Agosto, 2009 at 20:56 Responder

    Onde posso encontrar algo assim aqui no Brasil? Eu gostaria de passar por essa experiência para preparar, promover essa técnica em um evento que organizo na minha empresa denominado Hora do Conhecimento.

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