Ferramentas sociais na aprendizagem e no ensino

Na sequência do último post, sobre a utilização de ferramentas sociais no contexto da saúde, e do amável convite que recebi (e aceitei) para moderar uma das sessões do evento Creative Learning/Innovation Marketplace a realizar em Lisboa a 15 e 16 de Outubro, resolvi escrever um post sobre a aplicação de ferramentas sociais no âmbito da educação e da aprendizagem.

O que se seguem são alguns exemplos de como as ferramentas sociais têm sido aproveitadas para criar sites / aplicações que, dentro e fora das organizações, ofereçam suporte ao processo de ensino e aprendizagem num sentido abrangente. Isto é, considerei aqui exemplos que suportem o processo através de:

  • interacção entre “alunos”
  • trocas entre professores e alunos
  • partilha de conhecimento entre docentes e pessoal de suporte administrativo nas instituições de ensino.

University of the People

Denominando-se como a primeira universidade sem aulas, totalmente online, esta “instituição” de ensino pretende democratizar o ensino à educação superior. Quando arrancar este ano, vai recorrer às ferramentas sociais para possibilitar a partilha de material curricular mas também à socialização online entre alunos e entre estes e os professores para troca de experiências, dúvidas, etc..

Flat World Knowledge - screenshot

Flat World Knowledge

Flat World Knowledge

Este site criado para resolver os custos astronómicos dos livros académicos permite aos docentes avaliarem um determinado livro e recomendá-lo aos seus alunos que podem, de seguida, consultá-lo online. Os docentes e alunos podem ainda partilhar entre si as anotações que vão fazendo na cópia digital do livro. Uma forma original de poupar tempo e dinheiro. O modelo de negócio parece assente na compra do livro em papel ou em PDF e ainda na personalização dos próprios livros já que estes são impressos a pedido.

Edu 2.0 - screenshot

Edu 2.0 - screenshot

edu 2.0

Como diz no próprio site “esse é um wiki (...) para criar um repositório, em português, de recursos de web 2.0 que possam ser utilizados em atividades e projetos educacionais. Além disso, um espaço onde educadores possam encontrar boas referências para a sua prática”.

Cantina da FEUP no Twitter

Um exemplo bem simples de como uma plataforma já existente e onde o “público-alvo” já se encontra e se sente confortável pode ser usada para informar e atrair “clientes”. Na verdade, o almoço na cantina não é só um serviço prestado aos alunos esfomeados mas é também um momento de socialização descontraída, propensa à troca de informação, conhecimento e experiências.

Next Practice Acceleration Space

Um exemplo da aplicação de ferramentas sociais para apoiar a modernização e inovação nas escolas no Reino Unido integradas no programa Next Practice. Esta troca está aberta a docentes e à administração de algumas escolas-piloto. Este site em cuja criação estive envolvida não está, infelizmente, disponível ao público em geral mas há aqui uma pequena descrição do projecto.

Intute

Mais um exemplo proveniente do Reino Unido. Desta feita um site que pretende ajudar os alunos a pesquisar e a fazer sentido do mundo de informação à sua disposição na Internet. Com blogs, alertas, RSS feeds, partilha de sites, etc., combina uma série de ferramentas sociais para apoiar a aprendizagem pela pesquisa.

Mentornet

Este é um projecto com origem na Austrália onde foi criado um ambiente para que mulheres de negócio possam aprender com ajuda de mentores e através da partilha com semelhantes. Também este site não está disponível ao público em geral mas pode encontrar aqui uma descrição detalhada do mesmo.

Escola Viva Moodle

Uso este como exemplo de uma tendência crescente na utilização da plataforma Moodle para a criação de ambientes colaborativos de suporte ao ensino. São muitas as instituições de ensino que contam já com este tipo de plataformas. Infelizmente, e pelo que me é dado perceber, a utilização destas plataformas (no geral e não no caso específico desta da Escola Secundária Dr. Manuel Candeias Gonçalves em Odemira que não conheço) é ainda muito reduzida à troca de documentos de suporte às aulas e de trabalhos de disciplina. Também não parece haver a preocupação de “embelezar” estas plataformas, uma prova provada de que as instituições se esquecem de que os olhos também comem.

Para acrescentar a esta última “provocação” gostaria também de questionar se o mais importante será criar estas plataformas isoladas ou:

  1. criar uma plataforma conjunta para todas as instituições de ensino de níveis escolares semelhante (básico, superior, etc.) de forma a maximizar a troca de conhecimento e informação contextualizada, ajudando a nivelar a aprendizagem e oferecendo novas experiências aos alunos (ainda que pudesse haver zonas privadas para cada instituição);
  2. deslocar a funcionalidade pretendida para os sites onde os alunos já se encontram e onde poderiam conciliar a sua vida social online com a aprendizagem, transformando a vida escolar num elemento integrante, importante e mais divertido.

(A lista de sites aqui apresentada não é, obviamente, exaustiva nem nada que se pareça. O critério usado para a selecção destes sites foi a diversidade e o meu conhecimento pessoal de alguns deles.)

6 comments

  1. Rafael Ramos 14 Setembro, 2009 at 15:42 Responder

    Ana, como vai?

    Excelente texto. Sou proprietário do blog Conhecimento e TI (www.conhecimentoeti.com). Eu meu blog, já abordo alguns assuntos conceituais sobre gestão do conhecimento, mas seu exemplo prático foi muito feliz. Gostaria de replicar esse texto em meu blog e gostaria de sua autorização. Obviamente, irei citar a fonte e criar um link para o seu post.

    Fico no aguardo. Parabéns pelo blog.

    • Ana Neves 14 Setembro, 2009 at 15:55 Responder

      Muito obrigada pelo seu feedback, Rafael. Escrevi há algumas semanas um post onde refiro que não gosto muito que outras pessoas transcrevam textos integrais do KMOL (ou de qualquer outro site) nos seus próprios sites ainda que citando fonte e incluindo link para o texto original. A razão? Dispersa o debate.

      Ainda assim, não posso impedi-lo (nem a ninguém de o fazer) e, aliás, é um prática bem corrente. De qualquer forma, gostava de o desafiar a fazer algo diferente: partindo do meu post (do qual pode transcrever partes) tecer alguns comentários com base na sua experiência. Pode depois vir aqui deixar um outro comentário convidando-nos todos a ler esse post no seu site e a continuar lá a conversa se for caso disso. Aceita o desafio?

      • Rafael Ramos 14 Setembro, 2009 at 15:59 Responder

        Ana,

        É claro que você pode me impedir. Isso se chama direitos autorais e, apesar de ter um blog “informal”, gosto de me manter coerente e respeitar os autores.

        Desta forma, aceito seu desafio. Apesar de não ter experiências reais com ferramentas de GC, irei fazer alguns comentários sobre o seu post e recomendar aos meus leitores que entrem no seu site e vejam a matéria completa. Que tal?

        De qualquer forma, mais uma vez parabéns e já assinei seu RSS.

        Um grande abraço.

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