Tempo de vida da informação

Ontem, a caminho de casa, cruzei-me com uma carrinha onde se via impresso o logotipo do jornal O Correio da Linha. Não pude deixar de sorrir ao ler o slogan do jornal "Jornal mensal de actualidade".

Correio da Linha - logoSe aqui há uns anos ainda era possível dar notícias mensalmente e considerar que eram actuais, o mesmo não se passa certamente agora. Os próprios jornais semanais tiveram de adoptar uma postura diferente, prometendo artigos de reflexão e de opinião e não actualidade.

Actualidade é o que se passa agora. É o que podemos ver nos sites noticiosos que vão actualizando as notícias durante o dia, é o que podemos ler em ferramentas sociais através da nossa rede de conhecimentos.

E se isto se passa no mundo das notícias, o mesmo se passa no mundo das organizações.

Estou neste momento a realizar um projecto junto de uma empresa para quem a informação é o seu oxigénio. Depende de informação para antecipar os seus concorrentes, para detectar oportunidades, para realizar os seus projectos, para maravilhar os seus clientes. Mas mais do que precisar de informação, precisa de informação de qualidade. E informação de qualidade significa informação:

  • verdadeira
  • relevante
  • actual.

Um dos grandes problemas desta empresa está, exactamente, no aspecto da actualidade. Alguma da informação com a qual trabalha tem um tempo de vida de 12 meses. Outra, no entanto, pode estar desactualizada ao final de algumas horas. Como conseguir dar aos colaboradores confiança na informação que encontram sem arruinar o orçamento da empresa? O seu grande desafio é encontrar formas de, eficiente e eficazmente, ter acesso à informação de qualidade de que necessita.

E não será esse, em maior ou menor escala, o desafio de quase todas as organizações?

A resposta passará, no meu entender, por envolver os colaboradores no processo de procura, disponibilização e validação da informação. Os detalhes, esses dependerão da organização, do tipo de informação, das fontes de informação, do perfil de colaboradores, etc..

4 comments

  1. paujoral 23 Setembro, 2009 at 12:45 Responder

    Interessante a sua reflexão. Como acabei de ler o livro “Here Comes Everybody” do Clay Shirky (o qual recomendo), ao ler a sua proposta final de envolver os colabradores no processo de procura, disponibilização e validação da informação, lembrei-me da semelhança com a abordagem a que C. Shirky chama “Publisher then Filter”, como uma solução para lidarmos com o excesso de informação e com a identificação da que é verdadeiramente estratégica para cada organização. Ao envolver os colaboradores neste processo, é possível torná-los “filtros” e simultaneamente actores geradores de valor para a organização.

    • Ana Neves 23 Setembro, 2009 at 13:42 Responder

      Ando com imensa vontade de ler esse livro do Shirky mas ainda não tive oportunidade. Será que não quer fazer um resumo desse livro e enviar para publicação? Tenho a certeza de que muitas pessoas iria agradecer 🙂

      Quanto ao aspecto da filtragem e descoberta de informação pelos colaboradores… Penso que não há outra forma. Até porque, ainda que fosse possível criar/utilizar tecnologia para encontrar a informação, os aspecto da veracidade e da relevância, componentes igualmente importantes da qualidade da informação, são, em grande escala, subjectivos.

      Para além disso, há ainda o factor psicológico associado à utilização: muito mais facilmente eu utilizo e valorizo informação proveniente de alguém em quem confio do que se essa mesma informação for “sugerida” por uma aplicação. E quanto a isso, pouco ou nada há a fazer. E ainda bem que é assim 😉

  2. Rafael Ramos 23 Setembro, 2009 at 22:18 Responder

    Olá Ana,

    Acredito que um primeiro passo seja agrupar os tipos de informação disponíveis e ir entregando o projeto em fases. Talvez se iniciando pelas informações que ficam desatualizadas com mais rapidamente e, depois, ir tratando as demais.

    Um abraço,

    Rafael Ramos

    http://www.conhecimentoeti.com

    • Ana Neves 25 Setembro, 2009 at 11:14 Responder

      Rafael, a abordagem faseada é, quase sempre, a mais aconselhada. Concordo consigo inteiramente. Quanto a começar pela informação que fica desactualizada mais rapidamente, não tenho a certeza. Não pensei ainda o suficiente sobre o assunto para poder dar uma opinião muito segura, mas penso que, pelo menos do ponto de vista psicológico, seria mais fácil começar por informação mais “duradoura”. Se a organização conseguir criar processos para olear o processo de manutenção dessa informação, mais facilmente se sentirá com coragem para “atacar” o maior desafio da informação mais volátil.

      Entendo que começar pela informação com menor tempo de vida poderia produzir um quick-win bem visível que pode ajudar a motivar toda a organização. Mas penso que o risco de falhar pode ser demasiado alto e não compensar os potenciais benefícios.

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