Inovação empresarial em Portugal

Ontem fui assistir a mais um evento. Desta vez em Coimbra, organizado pelo Diário As Beiras e com o mote “Inovação: Empresas com Cérebro!”. Os oradores era de qualidade:

  • Carlos Zorrinho - Secretário de Estado da Energia e da Inovação
  • Ricardo Castanheira - Director para a área legal e assuntos corporativos da Microsoft Portugal
  • Teresa Mendes - Presidente do Instituto Pedro Nunes
  • Fernando Boavida - Presidente do Conselho de Administração da Associação Coimbra Região Digital
  • Basílio Simões - Presidente da ISA - Intelligent Sensing Anywhere

A sessão arrancou com algumas palavras do Director do Diário As Beiras, António Abrantes, e de João Gabriel Silva, Director da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), que assumiu responsabilidade de moderador do evento.

João Gabriel Silva referiu que Portugal carece de uma cultura de competência: as pessoas acham que o sucesso se pode alcançar de outras formas que não através do trabalho, do esforço e da dedicação. Enquanto se for criando um país de espertos e não de inteligentes, iremos continuar a criar ilhas de excelência mas não um país de excelência.

Poster do eventoCarlos Zorrinho iniciou a sua intervenção referindo que Portugal se destaca nas redes internacionais, não havendo rede internacional significativa onde não haja representação portuguesa. No entanto, essa postura de colaboração e partilha não se observa a nível nacional onde as redes são muito frágeis. “Há pouca partilha”.

A atitude do desenrasque, tão característica dos portugueses, foi referida pelo Secretário de Estado que disse mesmo que temos de procurar a inovação necessária para encontrar soluções e não para encontrar desculpas para as soluções que não encontramos.

“Pensar global, agir global e desenvolver local”, essa é a postura que as empresas nacionais devem adoptar. Portugal busca uma economia inteligente, verde e inclusiva e por isso a postura de inovação é fundamental. Há que saber utilizar o conhecimento já que o conhecimento, por si só, de nada vale.

Carlos Zorrinho considera que se fala muito de conhecimento, tecnologia e inovação mas que estes três elementos devem ser cruzados com uma identidade, mobilidade e criatividade. O conhecimento cruzado com uma identidade confere foco; a tecnologia cruzada com a mobilidade permite que haja maior desmultiplicação e alastramento; o cruzamento da inovação e criatividade possibilita resultados verdadeiramente diferentes.

A floresta, o território (abrangendo o turismo) e a energia são três factores endógenos que devemos usar para exportar e crescer: acreditar, aprender e empreender.

As outras intervenções foram também interessantes: Teresa Mendes descrevendo a actividade do Instituto Pedro Nunes  nas áreas de I&DT, incubação, formação e, dentro em breve, aceleração; Fernando Boavida com algumas considerações genéricas sobre a inovação; e Basílio Simões falando da forma como a inovação é usada na ISA para se reinventar e para se posicionar no mercado de acordo com as mudanças que se vão sentindo.

Apesar da relevância do tema, da divulgação que foi feita deste evento gratuito, da qualidade dos oradores, a verdade é que nunca estiveram no grande auditório da FCTUC mais de 40 pessoas. A sessão acabou com 15 cadeiras ocupadas (interessante, no entanto, que 2 delas eram ocupadas por presidentes autárquicos).

Será possível que as empresas ainda duvidam da importância da inovação? Será que a inovação continua a ser um luxo cuja importância diminui em tempo de crise? Será que acham que sabem tudo? Enfim... gostei do que ouvi mas não do que vi (ou de quem não vi). Uma experiência amarga e doce na minha terra natal.

3 comments

  1. Sonia Alcântara 28 Junho, 2010 at 14:28 Responder

    Cara Ana,

    Imagino que aqui não estamos muito diferentes, porém temos muito mais platéia! Creio que em quantidade e não representatividade! A academia tem influenciado bastante a indústria e a lei de inovação e lei do bem, que regulam a utilização de incentivos fiscais para as empresas que estão inovando e tambem possibilita a busca de financiamento para estes desenvolvimentos de produtos e/ou serviços inovadores, tem ajudado a promover a busca da inovação.

    Aqui no Brasil temos uma associação chamada ANPEI, que tem feito um trabalho extraordinário e influenciado muito o empresariado brasileiro no assunto inovação! O endereço eletrônico é http://www.anpei.org.br

    Um abraço

  2. Ferdinand 22 Fevereiro, 2011 at 18:58 Responder

    Ana, se ainda for possível dê uma olhadinha no post do Clemente Nobrega, acho que de ontem, onde o mesmo fala com propriedade sobre inovação.

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