Avaliação no início

É interessante como poucos livros de gestão de conhecimento abordam a questão da avaliação. Interessante também a forma como, aqueles que o fazem, se concentram sobretudo na avaliação de actividade (quantos utilizadores nos sistemas, quantas reuniões de After Action Review, quantas comunidades de prática, etc.). Mais interessante ainda o facto de que todos os livros que tenho visto que referem a avaliação, deixam este tema para o fim.

Conscientemente ou não, estão a dizer a quem os lê que a avaliação é algo que pode ser deixada para o fim (e até esquecida se o tempo não chegar). O que a experiência me diz é que a avaliação, tanto de actividade como de impacto, deve ser considerada desde o primeiro minuto. É importante que um plano de gestão de conhecimento inclua a definição de métricas e do plano de avaliação, e que estas actividades tenham lugar logo no início da execução do plano de GC.

Isto porque se assim não for: a probabilidade de ser feita decresce rapidamente; os mais cépticos irão dizer que as métricas identificadas foram-no porque já se sabia que essas eram as áreas em que havia melhores resultados para mostrar.

5 comments

  1. Ferdinand 20 Maio, 2011 at 00:59 Responder

    No caso dos livros, penso que, se colocam a avaliação no final está bem. Pressupomos que o leitor precisa saber do que se trata primeiro para então poder conduzir uma avaliação.

    No caso de especialistas, aí a questão é outra. Nem precisam que se mencione sobre avaliação!

    Ví hoje um comentário interessante de Ha-Joon Chang, no livro “23 Things They Don’t Tell You about Capitalism”, sobre especialistas. Conta que na Coréia um dito popular é mais ou menos assim: Macacos também caem das árvores.

    Este livro não tem nada a ver com a GC, nenhum comentário. Só que tem tudo a ver com o mundo onde estão inseridas as organizações e as empresas. Para mim derrubou alguns mitos que bloqueavam minha forma de conceituar o mundo dos negócios. E aí tem tudo a ver com GC.

    Pena que este só foi editado ano passado. Gostava de ter lido há algumas decadas.

  2. Ferdinand 21 Maio, 2011 at 19:22 Responder

    Penso que o Ha-Joon não está revelando nenhuma novidade para os CEOs das grandes organizações. Apenas descreve como o mundo dos negócios funciona. E funciona realmente de forma distinta do que eles mesmo nos fazem acreditar.

    Lembras das 3 grandes mentiras que o Art Klein comentou em uma entrevista que transcreveste. É mais ou menos no mesmo nível. Só que são mais 20.

    Só para teres uma idéia dos títulos dos capítulos( things):

    Thing2 – Companies should not be run in the interest of their owners.

    Thing5 – Assume the worst about people and you get the worst.

    Thing7 – Free-market policies rarely make poor countries rich.

    Thing17 – More education in itself is not going to make a country richer.

    Quem tiver como missão implantar GC, leva vantagem se tiver repensado estes conceitos. Fica mais afinado com o patrão.

      • Ferdinand 22 Maio, 2011 at 01:03 Responder

        Ana

        Lí o livro por causa dos comentários na Amazon.

        Ele é professor na Cambridge University( Reader in the Political Economy of Development at Cambridge University)

        Para cada título (que ele chama de “thing”) ele comenta o que vem ocorrendo e porque.

        Cita fatos históricos e as fontes.

        Faz bastante sentido, mesmo para um não especialista. E é bem divertido de ler.

        Vou ler também o livro anterior “the Bad Samaritan”.