Gestão de conhecimento e cidadania 2.0

Há já quinze anos que me dedico à gestão de conhecimento organizacional. Internamente em organizações onde trabalhei, como consultora de muitas outras, como curiosa que lê para absorver o que pode das experiências de outros.

Dessa dedicação e paixão nasceu, em 2001, o KMOL. E nasceu mais recentemente o Cidadania 2.0. Sim, o Cidadania 2.0. Eu explico.

Cidadania 2.0 - página inicial

Página inicial da Plataforma Cidadania 2.0

O Cidadania 2.0 nasceu em 2010 como um evento cujo objetivo era o de dar a conhecer projetos que estão a usar as redes e ferramentas sociais para objetivos de cidadania. Teoria há muita e nem sempre a teoria é suficiente para inspirar as pessoas. Assim, acreditei que organizar um evento com exemplos reais, contados na primeira pessoa, era a melhor forma de inspirar e informar as pessoas.

Depois de três edições do evento (2010, 2011 e 2012), o ano passado foi ano de interregno mas assistiu à criação de uma plataforma online sobre cidadania 2.0.

Esta plataforma visa divulgar projetos de cidadania 2.0 em língua portuguesa com o objetivo de:

  • aumentar o seu impacto
  • revelar pontos de ligação entre projetos
  • facilitar interação entre projetos, entre entidades e projetos, etc.
  • motivar mais cidadãos e entidades a considerar as redes e ferramentas sociais como canal (adicional) de diálogo e mobilização.

Se olharmos com atenção, vemos que esta plataforma procura respostas para uma série de questões comuns à gestão de conhecimento. Daí eu dizer que o Cidadania 2.0, apesar de aparentemente pouco ter a ver com a minha paixão, afinal até está bastante relacionado.

Aumentar o impacto dos projetos

Tal como a gestão de conhecimento que deve ser sempre uma aposta com propósitos estratégicos e objetivos concretos, o Cidadania 2.0 não quer existir simplesmente “porque sim”. O Cidadania 2.0 existirá enquanto considerarmos possível ter um impacto positivo nos projetos que “hospeda” e, em última análise, na sociedade.

Revelar os pontos de ligação entre projetos

A velha questão “saber quem sabe o quê” que serve de ponto de partida para a gestão de conhecimento em muitas organizações, sente-se também neste contexto.

Um dos pontos que os eventos Cidadania 2.0 afloraram foi o facto de haver projetos semelhantes que não “se” conheciam. Os pontos de contacto entre projetos podem estar relacionados com a tecnologia usada para a implementação da ideia, os objetivos a atingir, o grupo de pessoas a quem o projeto se destina, etc.. E não havendo conhecimento mútuo destes esforços, perdem-se oportunidades de melhorar a qualidade dos projetos, reduzir o seu tempo de implementação, aumentar o seu impacto, etc..

Facilitar a interação entre agentes

Mais do que dar visibilidade aos projetos, a plataforma quer também facilitar a comunicação entre eles e entre os projetos e as pessoas a que se destinam. E para isso, para além do que é visto online, há todo um trabalho offline que vou tentando fazer (na medida que o tempo me permite) para encontrar pontes, abrir portas, sugerir recursos, etc..

A partilha acontece quando sabemos com quem partilhar e quando percebemos o que há para ganhar. Tento que a plataforma ajude com ambos estes pontos mas não quero que o esforço de todo este projeto (Cidadania 2.0) se resuma a uma ferramenta. Já há ando há demasiado tempo nisto para acreditar em milagres 😀

Motivar

As pessoas são motivadas de várias formas. O dinheiro é uma delas mas, felizmente, há muitas outras e, nestas questões de cidadania, o dinheiro é talvez uma dos incentivos menos relevantes. Afinal, pouco nos deixa mais felizes do que o sentimento de estarmos empenhados e implicados no nosso futuro – pessoal e colectivo.

Pouco nos deixa mais felizes do que o sentimento de estarmos empenhados e implicados no nosso futuro – pessoal e colectivo.

Acredito que as pessoas são motivadas...

  • quando descobrem que há outros a fazer – e por isso a plataforma mostra projetos, muitos projetos
  • quando vêem que não precisam ter ideias fantásticas e completas – por isso é possível listar ideias em busca de opiniões e contributos
  • quando percebem que se podem associar a outras pessoas – por isso os projetos podem usar o seu “estado” para, por exemplo, pedir ajudas específicas e permitem contacto direto com os promotores dos projetos
  • quando sentem que o que fazem é reconhecido – por isso mostramos projetos e procuramos forma de lhes dar a visibilidade merecida para além do site
  • quando acreditam que podem ter impacto – por isso estamos sempre à caça de histórias que mostrem de que forma as ferramentas e redes sociais estão a ter impacto.

Ainda há muito para fazer. Tal como a gestão de conhecimento, este é um processo contínuo e algo lento. No entanto, e tal como na gestão de conhecimento, o potencial para ter impacto... ui, esse é enorme!

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