Duas "leis" de gestão de conhecimento

Acabei de ver uma apresentação da edição de 2014 das conferências TED. O título desta apresentação, proferida pelo General Stanley McChrystal do exército americano, é “A motivação militar para partilhar conhecimento”.

Não vou aqui resumir a apresentação pois o vídeo tem apenas 6 minutos e merece ser visto. Ao invés disso, queria usar o seu conteúdo como ponto de partida para uma breve reflexão sobre a importância de partilhar dados, informação e conhecimento e a forma como isso se relaciona com a gestão de conhecimento.

Por volta do minuto 4'40'', McChrystal diz

“a informação só tem valor se a dermos às pessoas que têm capacidade de fazer algo com ela”

Com uma pequena alteração (“conhecimento” em vez de “informação”), esta frase poderia bem ser a Primeira Lei da Gestão de Conhecimento. É quase como um lema para iniciativas de gestão de conhecimento.

Enquanto organizações, devemos partilhar conhecimento porque se este não for partilhado, se não estiver ao alcance de quem dele precisa, de pouco serve. E, como o General McChrystal tão bem humoradamente comenta, não faz sentido optar por uma postura de partilharmos conhecimento quando este nos for solicitado pois as pessoas dificilmente pedem o que não sabem existir.

As organizações, públicas e privadas, grandes e pequenas, devem assim adotar uma cultura e processos que conduzam a uma constante partilha de conhecimento. O reconhecimento dos colaboradores que mais partilham, a valorização do conhecimento dos colegas, jogos em que se misturem o lúdico e a partilha de conhecimento, sessões de formação informal para partilha de conhecimento, etc.. Estas são apenas algumas formas de motivar a partilha e conseguir que o conhecimento esteja mais acessível a quem dele necessita, quando dele necessita.

Há ainda uma outra Lei que gostaria de propor e que em muito se relaciona com a anterior:

“o conhecimento só tem valor se dermos às pessoas que o detêm a capacidade e oportunidade de fazer algo com ele”.

Começa a ser cada vez mais frequente ver organizações contratar novos colaboradores com base na sua rede de contactos, acreditando que esse é um recurso precioso nos tempos em que vivemos. Porém, é também comum ver organizações que negam aos seus colaboradores o acesso às redes sociais online, canal através do qual poderiam tirar partido e aumentar a sua rede de contactos e, consequentemente, a rede de contactos da organização.

O que sabemos é também, e em grande parte, quem conhecemos e o relacionamento que conseguimos manter com essas pessoas. Se eu não sei, é importante saber quem sabe e estar à vontade para pedir ajuda a quem sabe.

Assim, a atividade de gestão de conhecimento numa organização deve promover, não só a partilha de conhecimento, mas também a criação de condições para que os colaboradores possam rentabilizar o conhecimento que têm.

Permitir a participação em eventos de interesse para os colaboradores ainda que em áreas tangenciais à da organização, ouvir os colaboradores na altura de os alocar a projetos, criar oportunidades para que os colaboradores possam realizar trabalho não diretamente relacionado com a sua atividade principal, etc.. Estas são outras iniciativas que podem ajudar a dar resposta a esta Segunda Lei de GC que aqui proponho.

Haverá certamente outras "Leis" de GC. Da minha parte, vou pensar um pouco sobre isso. Entretanto, aguardo os vossos comentários e as vossas perspetivas sobre o assunto.

2 comments

  1. Ana Neves 3 Junho, 2014 at 09:57 Responder

    Quando partilhei este texto num grupo do LinkedIn, criou-se um debate interessante. Talvez não tenha começado da melhor forma, com alguns comentários menos simpáticos por parte de alguns intervenientes, mas depois compôs-se e houve contributos bem interessantes. Sugiro que veja aqui.

  2. Carlindo Xavier 11 Junho, 2014 at 21:05 Responder

    Ana, seguindo a sua sugestão, com uma pequena alteração (“conhecimento” em vez de “informação”), a frase do General McChrystal, quando afirma: “a informação só tem valor se a dermos às pessoas que têm capacidade de fazer algo com ela”, poderia bem ser a Primeira Lei da Gestão de Conhecimento.

    Se bem entendi, a adaptação da frase resultaria assim: “o conhecimento só tem valor se o dermos às pessoas que têm capacidade de fazer algo com ele”.

    Esta formulação, creio que encerra um problema. Se é verdade que a informação pode ser dada a terceiros, já o conhecimento, não. Tal qual entendo o conceito de conhecimento, este resulta de um processo pessoal de apropriação e reconstrução de diferentes elementos de informação num dado contexto.

    Neste sentido, enquanto a informação pode ser dada, o conhecimento apenas poderá ser partilhado para que as pessoas possam ter a oportunidade e uma desejável capacidade de fazer algo com ele.

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