Aprendizagem Organizacional: Factores de Competitividade em PME da Indústria Portuguesa

Este livro documenta um estudo realizado por Santana e Diz, em 1998, junto de doze pequenas e médias empresas (PME) do tecido empresarial português. O objectivo foi analisar a forma como factores internos e externos condicionam os processos de aquisição, interpretação, partilha e acumulação de dados, informação e conhecimento. O estudo visava ainda relacionar estes factores com o processo de adopção de tecnologias de informação e comunicação (TIC).

O texto começa com uma breve revisão de algumas das correntes filosóficas mais comuns na área da aprendizagem, e depois passa à descrição do estudo propriamente dito.

A motivação dos autores foi a de colmatar algumas lacunas patentes na literatura existente:

  • o facto de não oferecerem uma análise integrada e aprofundada do impacto de alguns factores na aprendizagem organizacional;
  • o facto de não relacionarem grandemente a aprendizagem organizacional com o uso das TIC; e,
  • o esquecimento das pequenas e médias organizações.

Sendo o objectivo do estudo analisar o impacto de factores internos e externos na aprendizagem organizacional, os autores debruçaram-se sobre os seguintes factores: ambiente externo, cultura, estratégia, gestão/liderança, estrutura, pessoas, rotinas/processos, recursos financeiros, e TIC.

Com estas variáveis em mente e seguindo o procedimento para estudos de casos múltiplos de Yin (1994), os autores optaram pela recolha de dados escritos, por uma entrevista semi-estruturada com um administrador de cada empresa, e pela observação directa do espaço físico e da forma de trabalho.

As doze empresas escolhidas são todas PMEs do distrito de Aveiro mas são de dimensões e sectores bem diferentes, produzindo desde máquinas de soldar a tubos de plástico, desde telhas a rolha de cortiça.

Uma apresentação sumária de cada empresa (cujos nomes foram mantidos confidenciais) bem como o resumo de cada entrevista, antecedem um relatório transcaso. Este relatório compara as várias empresas ao nível dos factores descriminados na teoria a demonstrar. A influência das TIC foi sempre tida em consideração, ainda que pouca influência pareçam ter tido.

As conclusões a que os autores chegaram foram:

  • não há uma relação simples entre a aprendizagem e o desempenho organizacionais;
  • o contexto e a relação com o cliente são determinantes na aprendizagem organizacional;
  • as TIC ainda não são muito usadas;
  • as empresas reconhecem a importância de uma estratégia e não a consideram limitativa;
  • a cultura organizacional e o nível médio de escolaridade dos trabalhadores são determinantes no surgimento de processos de processos de aprendizagem alargados;
  • os gestores têm um papel chave na aprendizagem organizacional;
  • a centralização do poder, da tomada de decisões e de tarefas ligadas a conhecimento têm impacto na aprendizagem interna;
  • os processos de certificação têm representado momentos de aprendizagem organizacional;
  • nas empresas tecnologicamente mais avançadas a inovação tecnológica é uma prioridade; e,
  • o nível de impacto das TIC no relacionamento das empresas com o exterior é variável.

Os autores pecam neste estudo por:

  • não desvendarem as questões que serviram de base às entrevistas realizadas;
  • só terem feito uma entrevista (uma segunda entrevista a um nível hierárquico mais baixo poderia oferecer um perspectiva complementar); e,
  • não apresentarem os resultados de forma mais visual, permitindo uma comparação mais fácil (neste ponto, o estudo realizado por Paulo Figueiredo é exemplar).

No entanto, e apesar disto, é um estudo relevante e um relatório interessante que abre as portas a uma melhor compreensão do panorama nacional das PMEs relativamente à aprendizagem organizacional e às TIC.

Sobre o livro:
Aprendizagem Organizacional: Factores de Competitividade em PME da Indústria Portuguesa
Silvina Santana e Henrique Diz. Universidade de Aveiro, Portugal, 2001.

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