Gestão do Conhecimento e E-learning na Prática

Há algum tempo atrás tive o prazer de ler e escrever sobre o livro Realizing the Promise of Corporate Portals da autoria de José Cláudio Terra e Cindy Gordon. E que livro!... O segredo: a quantidade (e qualidade!) dos exemplos que oferece.

José Cláudio Terra está de volta. Desta vez com um livro composto apenas por casos de estudo nas áreas da gestão de conhecimento, gestão de competências e talentos, portais, comunidades virtuais, e e-learning. São 39 casos, assinados por quem os viveu, e compilados por Terra.

Na sua introdução ao livro, Terra apresenta as organizações na era do conhecimento como organizações que aprendem, ensinam, reflectem, têm memória, operam em rede, experimentam, e são transparentes. O autor diz ainda que, por um lado, a gestão de conhecimento é um rótulo porque já se pratica há muito tempo sem que assim seja chamada. Por outro lado, não é um rótulo na medida em que existem agora novas perspectivas, métodos e processos.

Depois da introdução começa o cortejo de casos: Banco do Brasil, Embrapa, Ernst & Young, Natura Cosméticos, Serpro, Siemens, Perfeitura Municipal de Curitiba, Alcoa, Cefet-PR, Imprensa Oficial, etc.. No seu conjunto oferecem uma boa mistura de função pública e sector privado, instituições governamentais e académicas, organizações nacionais e internacionais.

A qualidade dos capítulos é muito variável e talvez a exposição dos casos peque pela falta de um modelo que conduza o leitor por determinada informação. Assim, alguns capítulos exageram na contextualização, enquanto outros mergulham directamente na solução sem expor o problema.

Gostava de destacar alguns casos que me parecem muito bem conseguidos:

  • o capítulo 3, assinado por Paulo Fresneda, fala da experiência da Embrapa, classificando as várias iniciativas numa de quatro categorias (apoio à gestão, apoio ao negócio, gestão de pessoas, e tecnologia de informação) e aferindo o seu estágio de evolução (planeamento, construção, implementação, operação). As iniciativas descritas são educação corporativa, gestão de pessoas por competências, agência de informação, e balanced scorecard. A descrição da experiência da Embrapa com comunidades de prática merece também atenção;
  • Dalton Uehara assina o testemunho da Ernst & Young. Destacam-se as lições aprendidas por esta consultora internacional e a consideração dada pelo autor à tecnologia, aos knowledge coordinators, à confiança, e às comunidades de prática;
  • o caso da WEG descrito por Marcus Guimarães é bastante curioso na medida em que a organização justifica as suas iniciativas de gestão de conhecimento em função da espiral de conhecimento de Nonaka e Takeuchi;
  • o texto de Tânia Nossa na Alcoa descreve com detalhe a experiência desta organização no que diz respeito à implementação de uma intranet e à sua migração para um portal corporativo;
  • a criação da intranet na Camargo Corrêa descrita por José Renato Junior, especialmente pela identificação dos pontos de viragem;
  • a introdução e a conclusão do capítulo 18 sobre a experiência da Cefet-PR valem a pena. Alexandre Moeckel e companhia exploram os obstáculos culturais encontrados nesta instituição académica;
  • Omar Laiunta narra a experiência da Ecodesign-net com comunidades virtuais. Nomeadamente, este capítulo aborda o marketing realizado, as métricas usadas, e os planos para o futuro;
  • a descrição, por Daniel Amaral e companhia, da PDPNet, abordando a tecnologia usada, a liderança/moderação da comunidade, problemas enfrentados, e lições aprendidas; e,
  • o capítulo 29 de Mauro Martins sobre as comunidades da Promon Telecom apresenta dez lições de ouro, as fases de abordagem, as métricas usadas, e os resultados obtidos.

Outros capítulos interessantes são o do Portal da Imprensa Oficial, o texto de André Pinto que serve de introdução à parte de e-learning, e o caso do e-learning na Caixa Económica Federal.

Ao longo do livro é possível identificar alguns temas comuns e semelhanças nas lições aprendidas, nomeadamente, a importância:

  • do apoio da gestão de topo;
  • da existência de um gestor de conhecimento; e,
  • de programas de milhagem (recompensa pelo uso do sistema).

Fico bastante feliz pelo facto de o título do livro distinguir entre gestão de conhecimento e e-learning. O e-learning pode, se bem integrado e explorado, fazer parte de um programa de gestão de conhecimento, mas e-learning não é gestão de conhecimento. Embora alguns dos capítulos do livro usem as duas práticas aleatoriamente.

Gestão do Conhecimento e E-learning na Prática - capaSobre o livro:
Gestão do Conhecimento e E-learning na Prática
José Cláudio Terra (org). Elsevier Editora, Brasil, 2003.

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