Da Gestão Estratégica à Gestão Estratégica da Informação: Como Aumentar o Tempo Disponível para a Tomada de Decisão Estratégica

Já ninguém questiona a importância da informação para o sucesso das organizações. Infelizmente, poucas são as organizações que investem na gestão estratégica da informação e menos ainda as organizações que o sabem fazer. Este livro é uma contribuição teórica que visa ajudar as organizações a delinear uma estratégia para a gestão da informação.

Nas palavras do autor “[o] propósito do livro é oferecer uma visão integrada da gestão da informação dentro de um referencial estratégico, indo dos conceitos básicos do que é a informação até ao modo pelo qual os estrategistas podem definir e implementar a estratégia organizacional tendo por base o uso da informação estratégica” (p13).

O primeiro capítulo fala sobre informação sob a perspectiva de outros autores mas também na opinião do próprio autor. Poças Rascão aproveita também para reflectir sob o impacto que as diferentes interpretações do que é informação têm na ciência e na gestão da informação.

Neste trabalho, o autor analisa a informação segundo quatro conceitos:

  • informação como coisa;
  • informação como processo;
  • informação como construção social; e,
  • informação como probabilidade.

O capítulo seguinte debruça-se sobre as diferentes escolas da gestão estratégica: Harvard 65, Carnegie, Harvard Post 80, baseada nos recursos, empreendedora, cognitiva, da aprendizagem, do poder, da cultura, ambiental e da configuração.

Para cada uma destas escolas, o autor analisa as permissas de base, identifica as contribuições e contextos, faz a sua própria crítica, e lista as principais características numa tabela comparativa.

No terceiro capítulo, Poças Rascão entra verdadeiramenta na temática do livro: a informação no contexto da estratégia organizacional.. Uma das principais conclusões deste capítulo é que “[p]ara melhorar a qualidade da informação para apoio na tomada de decisão estratégica é fundamental a existência de um processo de vigilância da informação estratégica que contemple não apenas a informação factual, mas também a informação qualitativa” (p176). Assim, o tema principal do capítulo seguinte é, precisamente, a informação estratégica e os processos de vigilância da informação, processos esses componente fundamental da gestão da informação nas organizações.

A gestão da informação está intimamente relacionada com a postura activa ou passiva dos gestores mas também com as suas oportunidades, preferências e crenças. São estas características que irão ditar a forma como vêem a informação, as suas imperfeições, o seu impacto, o seu potencial, etc..

No contexto deste livro, o autor guia-se pela definição de informação estratégica avançado por Truijens: “informação estratégica é (…) a informação relevante que permite às organizações ter uma melhor performance através da exploração ativa das imperfeições da informação dos fatores de mercado e de produto” (p195).

O processo de vigilância, é o processo pelo qual a organização capta informação quantitativa (objectiva) e qualitativa (subjectiva), interna e externa, com o objectivo de a utilizar na definição da sua estratégia. Oprocesso de vigilância da informação inclui a colecta, a selecção, o tratamento e a análise. Os quatro modos possíveis de vigilância são: direccionada, condicionada, inovadora, e activa.

Não é um daqueles livros que me deixa cheia de energia e me dá imensas ideias. No entanto, reconheço todo o seu mérito enquanto livro de referência teórica numa área em que tanto há ainda por fazer e explorar.

Parece-me haver, no decurso do livro, alguma confusão entre os seguintes conceitos: gestão estratégica da informação, gestão da informação estratégica, e gestão de informação para ajudar na definição da estratégia. Apesar de terem pontos em comum são, no meu entender, conceitos distintos. A importância de todos eles justifica a preocupação do autor em os abordar mas a forma como essa abordagem é feita torna-se ligeiramente confusa pelo facto de que a distinção não é explícita.

O segundo capítulo, sobre a gestão estratégica, parece-me exageradamente detalhado e comprido enquanto capítulo de suporte e contextualização. De qualquer forma é de bastante interesse e é, sem dúvida alguma, uma óptima referência sobre escolas e conceitos de gestão estratégica das organizações.

O resto do livro é também de grande valor para fundamentação teórica, sendo que seria de bastante interesse saber de que forma estes conceitos, preocupações e objectivos podem, de facto, ser aplicados no quotidiano e no processo de planeamento estratégico das organizações.

O capítulo intitulado “Na prática” sabe a pouco já que parece uma continuação e/ou sumário da reflexão teórica que lhe antecede.

Ana Neves
é sócia-gerente da knowman - Consultadoria em Gestão, Lda, empresa através da qual presta apoio de consultadoria nas áreas de gestão de conhecimento, aprendizagem organizacional, mudança cultural e social media. Tem participado como oradora convidada em conferências e facilitado workshops em Portugal, Brasil e Inglaterra. Criou e mantem o KMOL. Perfil no LinkedIn No Twitter

1 Comentário em “Da Gestão Estratégica à Gestão Estratégica da Informação: Como Aumentar o Tempo Disponível para a Tomada de Decisão Estratégica

  • Boa tarde
    Sobre este livro questiono se é possível adquiri-lo em Portugal. Se sim em que “sítio”?
    Obrigado pela atenção

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