Gestão do Conhecimento na Administração Pública

"O maior desafio das organizações, na atualidade, está em aprender a converter o conhecimento dos seus colaboradores em conhecimento organizacional."

Esta é a primeira frase do livro e dá o mote para o texto que se segue. Este baseia-se no trabalho desenvolvido por funcionários da Secretaria Municipal de Recursos Humanos da Prefeitura de Curitiba (SMRH), em parceria com pesquisadores da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Como é hábito, o primeiro capítulo é dedicado à apresentação dos conceitos orientadores do trabalho. Nomeadamente, são apresentadas a sociedade da informação e do conhecimento, a gestão do conhecimento (GC), as funções associadas, as práticas organizacionais relacionadas, algumas ferramentas de gestão de conhecimento, os dez princípios da gestão do conhecimento e algumas práticas de GC.

O segundo capítulo debruça-se sobre a realidade da GC no sector público, apresentando as grandes diferenças entre este e o sector privado:

  • a estrutura organizacional
  • a gestão de pessoas
  • programas e resultados.

Alguns casos de estudo demonstram a aplicação de GC em organizações públicas brasileiras: Banco do Brasil, SERPRO, EMBRAPA, PETROBRAS, Caixa Econômica Federal, e, em mais detalhe, a Prefeitura Municipal de Curitiba.

Gestão do Conhecimento na Administração Pública (Schlesinger et al, 2008) - capaApesar de considerar que alguns dos exemplos apresentados se encaixam numa visão muito lata do que é a gestão de conhecimento, considero que todos são úteis para retratar o estado da GC nas organizações públicas brasileiras e para dar exemplos de diferentes formas de ir ao encontro de objectivos concretos.

Os capítulos que se seguem apresentam um modelo que assenta em quatro dimensões: pessoas, tecnologia da informação, pesquisa e desenvolvimento, e gestão. Cada uma destas dimensões teve, no âmbito deste projecto, uma equipa associada, e todas as equipas foram orientadas por um coordenador geral. Uma das peças importantes da abordagem escolhida foram os multiplicadores (normalmente conhecidos por "champions" no inglês).

O modelo é descrito em bastante pormenor e merece ser analisado por organizações que se estejam a empenhar na gestão de conhecimento. Apesar de ser apresentado para o sector público, acredito que também seja útil para o sector privado. Não é obviamente um modelo (como nenhum outro o é) a seguir religiosamente sem considerar a realidade e os objectivos da organização, mas é um modelo que inclui alguns apontadores e conceitos interessantes e adaptáveis.

Um dos componentes do modelo é a Metodologia de Delineamento e Resolução de Problemas Organizacionais e que olha a quatro elementos principais: a questão-chave, os efeitos desejados, as variáveis e os parâmetros. Às variáveis aplica-se de seguida a técnica dos 5W2H: o quê, quem, onde, por quê, quando, como e quanto.

Os últimos capítulos descrevem a forma como o modelo foi implementado na SMRH e são tecidas algumas considerações finais.

Este livro revelou-se bastante interessante e de fácil leitura. Consegue um misto bem equilibrado de prática e teoria, apresentando e justificando ideias concretas e fazíveis. Tal como deve ser, o livro apresenta um modelo e não uma lista de receitas a seguir à risca por outras organizações.

Gestão do Conhecimento na Administração Pública (Schlesinger et al, 2008) - capaSobre o livro:
Gestão do Conhecimento na Administração Pública
Cristina Costa Barros Schlesinger, Dálcio Roberto dos Reis, Helena de Fátima Nunes Silva, Hélio Gomes de Carvalho, Jane Alves Lopes de Sus, João Vicente Ferrari, Luiz Claudio Skrobot, Suzete Arend de Paula Xavier. Instituto Municipal de Administração Pública, Brasil, 2008

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