Gestão do Conhecimento

Gestão do Conhecimento: Criação e Transferência de Conhecimento

As Edições Sílabo publicam mais um livro sobre Gestão de Conhecimento, desta vez da autoria de José Moleiro Martins, doutorado em Gestão e actualmente professor nas áreas de gestão organizacional e de conhecimento.

Este livro concentra-se sobretudo nos processos de criação e transferência de conhecimento em empresas transnacionais (ETN), apresentando uma estrutura conceptual que identifica os factores mais relevantes para que a transferência seja bem sucedida.

Como não poderia deixar de ser, o livro começa com algumas considerações sobre o que é conhecimento e informação, oferecendo que o conhecimento é “processo humano dinâmico fundamentado em convicções pessoais ancoradas num contexto” (p 17). A sua produção a partir da informação depende das pessoas (experiência, convicções e empenho); contexto; objectivos; e análise (tipo, método e ferramentas).

O autor fala ainda em dois tipos de conhecimento tácito - o especificável e o verdadeiramente tácito - e refere que a capacidade dinâmica de uma organização criar conhecimento é mais importante do que a base de conhecimento que possui.

Depois de falar sobre conhecimento, Moleiro Martins fala de aprendizagem e do conceito de organizações aprendentes, apoiando-se bastante nos conceitos de Nonaka e Takeuchi e Argyris e Schon.

O terceiro capítulo debruça-se sobre a transferência de conhecimento e começa por distinguir dois tipos de conhecimento:

  • o conhecimento objectivo, que é explícito e pode ser negociado
  • o conhecimento empírico que é acumulado pela organização no contexto das suas interacções com o exterior.

O processo de transferência é descrito considerando as dificuldades normalmente sentidas pelas organizações, os factores que criam maior resistências, e as condições que tornam a transferência mais bem sucedida. O autor reflecte sobre os estádios do processo de transferência de conhecimento (iniciação, implementação, evolução, integração) e as dimensões de transferência, e define a capacidade de absorção “como uma capacidade dinâmica firmada em rotinas e nos processos da empresa que permite adquirir, assimilar, transformar e explorar o novo conhecimento com a criação de uma vantagem competitiva” (p76).

Neste capítulo, ficam ainda algumas referências específicas à transferência de tecnologia.

O capítulo final introduz um modelo conceptual de transferência de conhecimento que não é mais do que uma lista de factores que influenciam o processo e que se dividem, essencialmente em três grupos:

  • capacidade de transferência da fonte
  • ambiente de cooperação e de colaboração entre a fonte e o recipiente
  • capacidade de absorção do recipiente.

O livro é pequeno e, na sua maior parte, lê-se bem. Notei, no entanto, alguma repetição de ideias o que parece dar a entender que o livro foi sendo escrito ao longo de algum tempo ou que resulta de uma compilação de textos sobre o mesmo tópico central.

Não se percebe muito bom o porquê de usar as ETN como foco deste livro já que praticamente nada do que é dito é específico desse contexto. A transferência de conhecimento entre subsidiárias num mesmo país, ou mesmo escritórios de uma mesma empresa, parece-me em tudo semelhante no que diz respeito às dificuldades e aos factores críticos de sucesso.

Para quem está a começar o seu estudo e reflexão nestes tópicos é, no seu todo, um texto interessante; para quem já tem uma boa bagagem nestas áreas, o último capítulo será suficiente para perceber as ideias trazidas pelo autor e para poder juntar mais um modelo conceptual ao seu toolkit de intervenção.

O KMOL e as Edições Sílabo têm um exemplar do livro "Gestão do Conhecimento: Criação e Transferência de Conhecimento" para sortear entre quem deixar um comentário no nesta página.A data limite para deixar o seu comentário é 29 de Julho 2010 e o/a vencedor será anunciado aqui no KMOL no início de Agosto de 2010.

Gestão do ConhecimentoSobre o livro:
Gestão do Conhecimento: Criação e Transferência de Conhecimento
José Moleiro Martins. Edições Sílabo, Lisboa, 2010.

16 comments

  1. vasco vasconcelos 30 Junho, 2010 at 13:36 Responder

    Reconheço a minha “ignorância” no tema, embora seja um tema muito pertinente nas empresas. Pessoalmente, comprovei na minha experiência profissional; vivi casos onde a informação, mesmo dentro de pequenas empresas e estruturas, onde a gestão do conhecimento é inexistente e vista como algo desnecessário, por ser vista como algo intuitivo e “automático”. Resultado prático: a informação perde-se e com ela o conhecimento. Uma das causas para esta situação está, a meu ver, – e na realidade que conheço – no facto de os gestores das PME’s, por terem anos e décadas de experiência no ramo, acharem que têm em si todo o conhecimento de mercado e negócio necessários ao sucesso da empresa (esquecendo que o Mundo – empresarial e não só – evolui a ritmos mais acelerados que nunca), ao mesmo tempo que temem perda de poder por eventualmente transmitirem o seu conhecimento. Mas começo a divagar para outros temas….

  2. Pedro dos Santos 1 Julho, 2010 at 20:24 Responder

    É debatível dizer que o meu conhecimento seja de uma dimensão que necessite e justifique uma gestão, contudo gostava de ganhar o livro à mesma. 😛

  3. Diana Vilhena 1 Julho, 2010 at 20:39 Responder

    Para mim, este livro sem dúvida seria uma excelente compra. Sou estudante de Recursos Humanos, e o tema da gestão é de extrema importância na minha área. É fascinante como o conhecimento nos pode abrir portas que nunca antes imaginavamos. E, é não são raras as vezes em que não são os conhecimentos cientificos que o fazem, mas sim os conhecimentos da vida, o que aprendemos na interacção com os outros, e com os vários contextos por que passamos.

    Uma organização precisa de uma boa gestão do conhecimento, para tirar maior rentabilidade dos recursos que têm, nomeadamente dos recursos humanos, que quando bem geridos, traduzem-se em valor acrescentado para a empresa. A gestão fascina-me!

  4. Virginia Pires 5 Julho, 2010 at 18:07 Responder

    Estou escrevendo um artigo sobre este tema como conclusão de disciplina de mestrado, o que seria muito bom conhecer as ideias do Prof. Jose Martins. As organizações vêm se preocupando com a perda de conhecimento gerado quando os funcionários se desligam da empresa pela busca de novas oportunidades, movimentação vertical ou mesmo por aposentadoria. É neste contexto que as empresas vêm investindo em projetos de Gestão do Conhecimento com o objetivo de incentivar o compartilhamento de conhecimento, a colaboração, a cooperação, preservação do conhecimento de especialistas e preservar a memória da organização.Uma das maiores preocupações, tenho observado, que não é a perda quantitativa e sim qualitativa.

  5. Ana Neves 5 Julho, 2010 at 18:57 Responder

    Fantásticos todos estes comentários. Venham mais!

    E para quem não sabe, informo de que pode duplicar as suas hipóteses de ganhar se deixar também um comentário no post respectivo na página do KMOL no Facebook. Não tem de ser um comentário elaborado, basta um “Eu quero muito este livro!” 🙂

  6. Nuno Lopes 6 Julho, 2010 at 22:44 Responder

    Pessoalmente, penso que o livro não traz nenhuma ideia nova. É um tema que me interessa bsstante dado que me encontro a finalizar a tese de mestrado na área. Na minha opinião uma organização que faça uma gestão de conhecimento sem uma envolvente de coaching,gestão de mudança, ITIL vai ter grandes dificuldades em conseguir ter sucesso no objectivo proposto. Gerir conhecimento é resultado de um processo moroso, que envolve conflitos, que tem de ser avaliado e suportado por um sistema de informação transparente e disponível transversalmente dentro da organização.

  7. Fernando Gualberto 12 Julho, 2010 at 14:05 Responder

    O tema Gestão do Conhecimento é sempre palpitante e me estimula a aprofundar cada vez mais os estudos. Creio que este livro irá ampliar meus conhecimentos. Tenho consciência que é pouco fácil sua implantação no âmbito das organizações, porque exige mudanças radicais e profundas. Só para citar algumas delas: o Ser Humano (cento de tudo); a cultura dominante na organização (que impede a prática da cooperação e da colaboração, por consequência, limita o conhecimento que está na cabeça das pessoas); os processos e pouco ou quase nenhum cuidado com a memória da organização. O SER é e será sempre o centro de tudo. A metáfora do conceito de SER do Raimundo Soares (dsponível no seu site http://www.institutoorior.com.br) resume muito bem tudo: “Este conceito identifica três dimensões interdependentes, essencialmente presentes em qualquer sistema vivo: Sensibilização (querer); Equilíbrio (saber) e Realização (fazer)”. Ou seja, as Organizações ao implantarem a Gestão do Conhecimento, esquecem de integrar estas dimensões, o que em geral as leva ao fracasso ou a dificuldades operacionais, muitas vezes irreparáveis.

    Em resumo: é preciso que a direção, gerentes e colaboradores saibam lidar com o conjunto de conhecimentos colocados à disposição, mas que estão normalmente fragmentados ou na cabeça de poucos.

  8. Ana Neves 14 Julho, 2010 at 22:21 Responder

    Muito obrigada por todos os comentários já aqui deixados. Venham mais!

    Fernando, a sua referência ao trabalho de Raimundo Soares é muito interessante.

    Detecto uma perspectiva algo pessimista sobre a gestão de conhecimento nas organizações tanto no seu comentário como no do Nuno. Reconheço que não é tão fácil quanto gostaríamos mas também não é assim tão difícil. Especialmente se formos construindo aos poucos, fazendo pequenas actividades: o importante é que haja uma estratégia coerente que sirva de fio condutor e integrador de tudo o que se for fazendo.

  9. Paulo 26 Julho, 2010 at 00:46 Responder

    Este assunto me parece um tanto complexo, pois o conhecimento é algo subjetivo nas organizações, este conhecimento está em posse de quem?, este conhecimento esta documentado? caso a resposta seja não, podemos até nos atrever a dizer que este conhecimento nem existe.

    E caso este conhecimento esteja documentado, de que forma esta documentado, de forma resumida?, legivel? compreensivel? usável?… É este livro pode ajudar a entende um pouco melhor a Gestão do Conhecimento!!!

    Obrigado

    Um abraço a todos

    E vamos começar a pensar em Gestão do Conhecimento, por que ter muitas informações e não saber o que fazer com elas não nos ajuda muito!

  10. José Dinis 26 Julho, 2010 at 00:48 Responder

    Ana

    Bem… Mais uma vez o meu reconhecimento pela sua tenacidade e perseverança…

    Bem haja.

    Face à descrição que faz desta obra, fico curioso sobre o seu conteúdo. E, neste caso, sendo mais uma fonte bibliográfica em língua portuguesa, espero que nos traga algo de útil… e que possa constituir mais uma referência nesta área científica!… Ver para crer!…

  11. Ana Neves 30 Julho, 2010 at 17:31 Responder

    Terminou hoje o passatempo e temos dois vencedores: um vencedor sorteado entre os 13 que deixaram os seus comentários aqui no KMOL, e um vencedor entre os 6 que deixaram comentário no post respectivo da página do KMOL no Facebook.

    Sem mais demoras, os vencedores são:

    Pedro Santos (o 2º a deixar comentário aqui na página) e Diana Vilhena (a 4ª a deixar comentário no Facebook).

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