A Nova Inteligência - capa do post

A Nova Inteligência

“Treinar o lado direito do cérebro é o novo caminho para o sucesso” é a tagline deste livro de Daniel H. Pink que, na sua versão original, se intitula “A Whole New Mind”. É um livro para gestores sem ser um livro de gestão. É um livro para qualquer pessoa que queira pensar ou definir a sua carreira, sem que se encaixe na categoria de livros de auto-ajuda.

O mundo ocidental vive uma época dominada pela abundância, em que muito do trabalho pode ser realizado na Ásia a preços muito reduzidos, e em que a tecnologia consegue automatizar muitas das actividades humanas. Surge, por isso, a necessidade de repensar os factores críticos para o sucesso profissional.

“O futuro”, diz Pink na Introdução deste livro “pertence a um tipo muito diferente de pessoas, com um tipo muito diferente de inteligência: pertence a quem é capaz de criar, empatizar, reconhecer padrões ou gerar significado” (p 13).

E esse tipo diferente de inteligência inclui as capacidades high concept (criar beleza, combinar ideias, detectar padrões) e high touch (sentir empatia, encontrar satisfação, perseguir sentido para a vida) que se traduzem em seis sentidos: design, história, sinfonia, empatia, diversão e sentido.

Este trabalho de Pink descreve cada um desses seis sentidos, característicos do lado direito do cérebro, dando provas da sua importância e exemplos de como estão já a ser considerados pelas instituições académicas e pelas organizações empregadoras.

Mais do que detalhar aqui cada um dos sentidos, deixo algumas passagens que considero mais marcantes e ilustrativas dos conceitos apresentados.

“história – o contexto enriquecido pela emoção” (p 123)

A Sinfonia é “a capacidade de ver relações entre domínios aparentemente diferentes; de sintetizar mais do que de analisar; de detectar padrões alargados mais do que de encontrar respostas específicas; e de criar algo novo combinando elementos que ninguém antes se lembrou de juntar” (p 146)

“os tempos que se avizinham oferecem oportunidades copiosas a três tipos de indivíduos: o inventor, o criador de metáforas e o transgressor que não respeita delimitações” (p 150)

A vida ideal “[a]ssemelha-se mais a caminhar num labirinto circular, onde o propósito é a viagem em si.” (p 247)

Pink termina fazendo o leitor reflectir sobre a sua própria situação profissional. Se considerar que alguém pode fazer o que faz numa localização de mais baixo custo, que um computador pode fazer o seu trabalho mais depressa, ou que não oferece algo que satisfaça as necessidades imateriais e transcendentes desta era, então deverá pensar bem na situação.

Não é o tipo de livro que iria escolher na prateleira. No entanto, foi uma oferta e resolvi honrá-la. E não me arrependi.

De que é que menos gostei neste livro? Do facto de ser escrito a pensar no mundo ocidental e de, até certo ponto, reduzir a importância e a competência dos profissionais asiáticos.

De que é que gostei mais neste livro? Várias coisas:

  • a pertinência das ideias expostas e dos conceitos apresentados
  • tom descontraído com que está escrito
  • os recursos e técnicas simples sugeridos para cada um dos seis sentidos
  • a quantidade de exemplos - alguns de pessoas / organizações conhecidas; outros de pessoas e organizações que não conhecia mas gostei de “descobrir”.

A Nova Inteligência - capa do postSobre o livro:
A Nova Inteligência
Daniel H. Pink. Academia do Livro, Portugal. 2010.

1 comment

  1. José Dinis 1 Dezembro, 2011 at 23:34 Responder

    Ana

    Li este livro nas últimas férias e também “não me arrependi”.

    É uma obra que apresenta algumas realidades nuas e cruas da massificação da evolução tecnológica, da globalização e das consequências para as pessoas dos paises ocidentais, onde os direitos e deveres dos trabalhadores são [AINDA] mais preservados do que na “Ásia”, embora também noutras partes do mundo.

    Parece-me um hino ao valor da pessoa humana e, em particular, da sua mente e inteligência que, para fazer face à deslocalização das indústrias de produção em série, encoraja as pessoas a poderem encontrar uma opção de vida, em ocupações, onde as máquinas são secundárias e as pessoas são imprescindíveis, incluindo através de uma melhor utilização das suas capacidades intelectuais.

    Finalmente, apresenta uma curiosidade através da classificação das “Eras”, onde a seguir à “Terceira Vaga” do Toffler, a “Era da Informação”, criou a “Era Conceptual”. Que tal esta visão?!… Gostava muito que pudesse comentar…

Leave a reply