Serendipidade: ao encontro do conhecimento que conduz à inovação

Facto: a inovação tem mais probabilidade de acontecer quando áreas distintas de conhecimento se aproximam ou confrontam

Facto: no início de uma ideia inovadora ou de um avanço tecnológico, o conhecimento é essencialmente tácito

Facto: o conhecimento tácito é extremamente difícil de transmitir a não ser pela conversa directa, pela partilha de histórias, metáforas e experiências

Ora, se queremos aumentar a inovação das nossas organizações, devemos procurar formas de provocar essa partilha entre pessoas em áreas diferentes da organização ou entre a nossa organização e outras fontes externas. Esse é um objectivo que pode ser conseguido através da realização e participação em eventos, através da realização ou participação em projectos conjuntos, ou através da socialização online, por exemplo. A serendipidade é o segredo!

Deixo aqui o vídeo de uma pequena entrevista de Joshua-Michéle Ross a John Hagel, do Center for the Edge da Deloitte (pouco mais de 5 minutos), onde estes tópicos são discutidos de forma muito interessante.

Já agora, de acordo com o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, serendipidade é a aptidão para descobrir coisas agradáveis por acaso ou uma coisa descoberta por acaso.

15 comments

  1. Ferdinand 2 Fevereiro, 2011 at 13:13 Responder

    Receio que serendipidade seja mais um “meme”. Saltou de um conto e permeia hoje até textos teóricos.

    Penso que nos induz ao erro de acreditar em “forças externas” quando toda a mágica do fenômeno ocorre apenas em nossa mente. A dita realidade é o que é, e é de uma complexidade inescrutável. Nossa mente é que atribue significado para certas correlações percebidas.

    Desculpem a visão positivista.

  2. Ferdinand 2 Fevereiro, 2011 at 13:35 Responder

    Imaginem também argumentar com o Thomas Edison, que não foi o suor dele nem de seus diligentes colaboradores o responsável pelas suas descobertas. Que resposta não receberíamos!

  3. Ana Neves 2 Fevereiro, 2011 at 14:39 Responder

    Ferdinand, sou uma grande defensora do trabalho árduo (quem me conhece sabe que mais do que defensora sou também uma praticante ;-)) no entanto, e tal como o Ferdinand referiu num comentário a um outro texto, a sorte também joga um papel muito importante. Há muitas pessoas que não trabalham muito e são bem sucedidas por uma questão de sorte, e outras que trabalham imenso e não conseguem o que querem por falta dela.

    Da mesma forma, acredito no acaso (e não no destino). Acredito que decidirmos ir a um evento, ou apostar num determinado cliente, ou aceitar uma oferta de emprego, ou telefonar a um amigo num determinado dia, são tudo acções que nos colocam em posição de socializar e de nos depararmos com novas realidades, ideias, etc..

    Serendipidade pode ser mais um daqueles “chavões” que se usa mas, na verdade, e para mim, é um fenómeno muito interessante, válido e digno de ser explorado no âmbito da gestão de conhecimento.

  4. Ferdinand 2 Fevereiro, 2011 at 17:04 Responder

    Ana, não tenho intenção de polemizar sobre o termo.

    Apenas expresso minha modesta opinião, que muitas vezes não coincide nem com a opinião dos mestres nem com a opinião da maioria.

  5. Ferdinand 2 Fevereiro, 2011 at 17:24 Responder

    Ana, outro conceito que não concordo é : “Errar é humano”

    Todos os seres animados erram, não é prerrogativa do genero humano. Mas vai tirar este conceito da mente das pessoas, como?

  6. Ferdinand 2 Fevereiro, 2011 at 22:40 Responder

    Serendipidade – Seriam apenas as coisas descobertas por acaso nos casos em que você não as está procurando. O “eureka ” tão marcante do Arquimedes não está nesta categoria. Conta a lenda que ele estava procurando a solução já fazia algum tempo. No caso dele foi a coroação do esforço de um pesquisador imerso profundamente no problema. E ele descobriu que estavam tentando enganar o Rei.

  7. Ferdinand 3 Fevereiro, 2011 at 12:35 Responder

    Ana, Bom dia!

    Do ponto de vista positivista não existe nenghum fenômeno a que pudessemos chamar serndipidade.

    As leis de causa e efeito são o que são quer as chamemos de complexas ou não.

    Nossa mente é que vai percebendo/criando as relações entre causa e efeito, e aí há muita confusão.

    Uma simples correlação fortuita é confundida como causal e vamos navegando num mar de misticismos.

    Por que é que é sempre no último lugar que procuras é que achas o que estavas procurando?

    E à todas as coisas que achaste neste processo, e que não estavas procurando, exclamas “eureka!”

    Tenho dúvidas que o faças.

    Penso que existe algo de místico nesta palavra, por isso ela encanta tanta gente.

    Algo como fadas, anjos…..

    Forte abraço

    Ferdinand

  8. Ferdinand 20 Abril, 2011 at 23:53 Responder

    Realmente bonito de ver.

    Muita criatividade e bom gosto.

    Reforça minha suspeita pela nossa predileção inata pelo místico.