Imagem do trabalho de visualização de Alvin Chang "This is a teenager"

Erros, dados e conhecimento

1+1 não é 2

Quando falamos de conhecimento, 1+1 não é igual a 2. Isto é, duas pessoas com um ano de experiência não têm o mesmo conhecimento, a mesma experiência, a mesma sensibilidade que uma pessoa com dois anos de experiência.

É isto mesmo que explica Joan Westenberg num post recente entitulado “Experience doesn’t stack: the myth of collective knowledge”.

“One expert with twenty years doesn’t just know more facts. They see differently. They carry mental models that weren’t taught but discovered. They’ve built intuition from friction. They’ve made the same mistakes enough times to recognize them three steps before they appear. They don’t look at problems as they are but as what they become.”

“If you’re lucky enough to know someone with twenty years of scar tissue in a domain, listen. Don’t just ask what they know. Ask what they’ve unlearned. Ask what they stopped saying because nobody understood. That’s where the signal lives.
Expertise doesn’t scale. It sharpens. It concentrates.”

Os meus 25 anos de experiência em gestão de conhecimento dizem-me que ela tem razão 😉

“This is a teenager”

“Sou apaixonada por trabalhos que, alavancados nos dados, nos ajudam a ver e entender o que nos rodeia, nos facilitam o processo de tomada de decisão, nos despertam a curiosidade, nos inspiram, nos acordam. Sou apaixonada pela possibilidade de mostrar dados de tal forma a facilitar o entendimento ou a acordar emoções.”

Assim começava um texto recente em que falei sobre o livro The Art of Insight de Alberto Cairo.

Esta semana descobri um trabalho fantástico que mostra o poder dos dados e o impacto que podem ter quando devidamente “animados” (no sentido de lhes darmos vida).

O trabalho chama-se “This is a teenager“. É da autoria de Alvin Chang e o site Pudding (que recomendo vivamente) descreve-o assim: “Watch hundreds of teenagers grow up into adults – and see how their lives turn out”.

Trata-se de um trabalho interativo que pode ser explorado aqui.

Existe também um vídeo para quem não quer / ou não pode fazer scroll down.

O trabalho é da autoria de Alvin Chang que, num longo e detalhado artigo, descreve todo o processo de criação.

“Missed takes”

Esta semana vi o vídeo de uma apresentação de Matt Abrahams, autor de Think Faster, Talk Smarter (livro e podcast). Estava recheado de sugestões sobre como estruturar a apresentação de uma ideia, especialmente de forma oral e quando o tempo é curto.

Para além de várias dicas de estrutura (como “What”, “So what” e “What next”), houve uma coisinha que me chamou especialmente a atenção. O professor e autor diz que, em vez de pensar em “mistakes” (erros ou enganos), gosta de pensar em “missed takes” no sentido em que, na rodagem de um filme, é frequente ter de filmar uma mesma cena várias vezes (takes) até conseguir o resultado desejado.

A tolerância ao erro, do ponto de vista pessoal e organizacional, é fundamental para a aprendizagem, melhoria contínua e inovação. Seria muito bom que esta ideia dos “missed takes” estivesse mais presente.

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