Papa e a rede social dos cardeais

Redes e histórias

A rede do Papa

Diz a Bíblia que o Papa é um “pescador de homens”. A rede, porém, é simultaneamente o que lhe permite “pescar” novos cristãos mas também o que o ajuda a conquistar essa posição.

Um estudo conduzido por Giuseppe Soda, Alessandro Iorio e Leonardo Rizzo da Universidade Bocconi em Itália, aplica a análise de redes sociais para compreender as dinâmicas que influenciam a eleição papal.

A investigação considerou fatores como o estatuto, o controlo de informação e a capacidade de construir alianças para analisar a probabilidade de ascensão de um cardeal a papável.

O estudo só foi publicado depois de sabido que foi o cardeal Robert Prevost o eleito pelo conclave. Não considero que isso retire valor ao estudo realizado. No entanto, considero que os dados recolhidos e os mapas criados poderia ser alvo de uma reflexão maior do que aquela já partilhada pelos autores.

Por exemplo, o cardeal Prevost aparece no top 5 dos cardeais no que diz respeito ao estatuto, medido com eigenvector centrality, que reconhece os cardeais com mais conexões e com as conexões mais influentes.

No entanto, ele não está no top 5 nas redes de controlo de informação (calculado com betweenness centrality) nem de capacidade de criar alianças. Há, porém, um cardeal, Gérald Lacroix, que aparece nestes dois tops.

Será isto mais uma prova de quem conhecemos é mais importante do que o papel que desempenhamos na rede? Ou será que é apenas uma coincidência? Ou que o estudo não se debruçou sobre outros aspetos que foram, esses sim, determinantes para a escolha do conclave?

Network weaving

Num vídeo, June Holley descreve network weaving (que em português talvez se pudesse traduzir para “tecelagem da rede”) como “set of skills and practices that enable a network to be more effective; that make networks have more possibility”.

Diz ela, que isso envolve conhecer a rede (knowing the network) e que as melhores formas de o fazer são:

  • criar um mapa que representa as ligações entre membros (como o mapa criado para representar a ligação entre os membros do Colégio de Cardeais)
  • falar com a rede, fazer perguntas e ouvir.

Este vídeo foi mais uma das sugestões de Harold Jarche durante o workshop de Personal Knowledge Mastery de que já aqui falei. No mesmo contexto deste vídeo, ele recomenda também um artigo de Valdis Krebs e June Holley: “Building communities through network weaving”.

As regras do storytelling

Capa de "The 109 Rules of Storytelling"

“The 109 Rules of Storytelling” é um pequeno livrinho de Jeremy Connell-Waite. Partilhado no LinkedIn, e posteriormente disponibilizado como flipbook por um membro da sua rede, o livro apresenta o que o autor, no título, chama regras, para depois no interior chamar de orientações.

Eu, curiosamente, diria que, enquanto conjunto, se aproximam mais de verdades (na ótica do autor, claro!) ou informações relacionadas com a utilização de histórias para a mudança.

Ainda assim, o livrinho inclui dicas muito práticas – como, por exemplo, para situações em que contamos histórias online – e está cheio de sugestões de leitura.

Ao descobrir este trabalho, descobri também vários outros fantásticos recursos criados e disponibilizados gratuitamente por Jeremy Connell-Waite no seu site Better Stories. Por exemplo, “Nine Principles of Better Stories” (PDF) ou “The Art of the One Pager” (PDF).

Página com a regra nº 1 do livro "The 109 Rules of Storytelling"

Se se interessa por storytelling, há muito para explorar no KMOL e há também os meus destaques sobre o tema.

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