Vizinhos
No dia 18 julho, Philippe Borremans publicou um post no LinkedIn. Começava assim:
The first rescuer on the scene isn’t wearing a uniform; it’s your neighbour. Every plan we draft crashes into one reality. The first 48 hours belong to the community.
50 comentários e 53 reposts depois, Philippe deixou, ele próprio, um comentário:
Many thanks to everyone for this almost overwhelming response. You have taken the time to read the post and write insightful comments, so I think it’s fair to feed back our collective brainstorming to everyone in the form of a structured document that can help us all in our own communities.
Este é um fantástico exemplo de gestão de conhecimento na prática e do modelo Seek>Sense>Share do Harold Jarche. Para além disso, é bom não esquecer nunca a ideia que o Philippe tão bem expõe: de que são os nossos vizinhos, as comunidades a que pertencemos, que nos podem salvar em situações de crise. E ainda que o foco do seu texto seja outro, a mesma ideia aplica-se a crises pessoais e organizacionais.
Vejam-se, por exemplo, as três sugestões que Philippe partilha no seu post LinkedIn:
- mapear as competências dos vizinhos tal como mapeamos as bocas de incêndio
- cocriar mensagens com vozes locais
- saber de antemão quem são os conectores da comunidade e os nós de informação.
Também as organizações devem mapear as suas competências (veja-se aqui um exemplo prático na ANACOM), devem cocriar com as suas pessoas (veja-se aqui um exemplo prático de cocriação de um manifesto da cultura de uma empresa de aviação belga) e devem conhecer as redes de informação e de conhecimento (através da análise de mapas de redes organizacionais como o que se vê de seguida).

As redes, as comunidades a que pertencemos são o nosso chão e o nosso trampolim. E as organizações serão tão mais resilientes, fortes e agéis quanto souberem alimentar o aparecimento e a consolidação de comunidades – internas e com outras organizações.
Design centrado nas pessoas
Por falar em pessoas e comunidades…
A iniciativa Accelerate Impact da Fundação Aga Khan visa estimular a cocriação de soluções inovadoras em conjunto com as comunidades para aumentar o impacto do coletivo. Foi no âmbito dessa iniciativa que foi criado o “Guide to Human-Centred Design for Social Innovation”.
Human-centred design é “a recognised approach for creating thoughtful experiences and systems”. “The foundation of Human-Centred Design is a first-hand understanding of the human needs and behaviours in the systems being designed.”

O guia está disponível para download em PDF se deixar o seu endereço de email. Em alternativa, pode navegar o conteúdo diretamente no site.
Não pude deixar de reparar que este guia foi financiado pela Fundação Aga Khan e pela USAID. Cabe a todos nós aproveitar bem este trabalho e mostrar porque é tão importante manter estes apoios.
A imagem de destaque foi criada pelo Philippe Borremans com MidJourney. Publicada aqui com a sua autorização.



