Imagem da série "Adolescence"

Social media

Esta sexta-feira trago uma mão cheia de sugestões relacionadas com as plataformas de social media.

Jovens e social media

O Professor António Dias de Figueiredo é uma referência internacional em tudo o que diz respeito à aprendizagem: no digital, com o digital ou apesar do digital. É ele um dos grandes “culpados” por eu me ter apaixonado pela aprendizagem organizacional e por muitos dos valores e comportamentos que caracterizam o meu trabalho. Foi meu professor e meu orientador de tese final de licenciatura. É uma referência e uma pessoa que admiro imenso.

Afastado das salas de aula, continua a partilhar conhecimento, e tolo é quem não presta atenção ao que tem para nos ensinar.

Esta semana partilho um artigo seu sobre a relação dos jovens com as aplicações de social media: “Teenagers and Social Media: Why the Algorithms Hook Them and How to Fight Back“.

“To understand this dynamic, we must explore the uses teenagers make of social networks, their psychological and social impacts, the implicit mechanisms of influence, the associated risks, and the strategies to foster healthier, more positive engagement.”

Este é o primeiro de uma série de artigos que irá publicar no espaço “The Human Dimension of Technology“. O segundo artigo também já está online e é sobre a adolescência e a IA generativa.

O que os jovens veem nos telemóveis

“What teenagers really see on their phones” é o título de um episódio do podcast do jornal britânico The Guardian. (Se tiverem dificuldade em ouvir no site, sugiro que o procurem na vossa aplicação de podcasts preferida.)

Neste episódio, a jornalista fala com dois jovens – ela com 15 anos, ele com 16 – ouvindo as suas vivências enquanto “consumidores” de social media.

Não me trouxe nada que eu não soubesse mas é uma estalada na cara – na minha, e na de uma sociedade com um nível de formação académica nunca antes visto e que se considera culta e informada. Como é que chegámos aqui?

Adolescência

Nesta sequência, não tenho como não sugerir a série britânica Adolescence.

Entre o incrível desempenho de Owen Cooper no papel de um rapaz de 13 anos, a mestria da filmagem de cada episódio numa só take, e a história propriamente dita, é impossível ficar indiferente.

Ainda hoje me arrepio ao pensar no terceiro episódio.

Visibilidade justa

O algoritmo criado pelas empresas de social media está na base de muitos destes problemas e riscos, como tão bem descreve o artigo do Professor Dias de Figueiredo. Mas há mais problemas para além destes. Como tão bem revelam variadas experiências no LinkedIn.

Vejam esta página para uma curta explicação do problema: um algoritmo que privilegia os posts de homens brancos em grandes multinacionais, remetendo para a sombra posts de mulheres, desempregados, pessoas com pequenas empresas, pessoas neurodivergentes, migrantes, etc. (Já ouviu falar de enshittification?)

E, enquanto estiverem na página, aproveitem para assinar a petição “Fair Visibility for All on LinkedIn” porque, como dizem os autores da petição, “Visibility is a design choice. It’s time LinkedIn made it fair”.

Reconstruir social media

Finalmente, e porque um outro problema das plataformas de social media é o local onde os dados estão alojados e a legislação que se aplica sobre as empresas que as detêm, sugiro que deem uma olhado no projeto Rebuild.

“Rebuild is a catalyst to support and serve the new generation of European social platforms. Gathering the people in Europe who can make it happen. The entrepreneurs, the pioneers, the investors, the digital leaders.”

Para além das ações que estão a ser desenvolvidas pelas pessoas diretamente envolvidas no projeto (entre as quais há vários portugueses), o site dá visibilidade a plataformas sociais criadas por entidades europeias, encorajando a que se opte por estas. (De alguma forma fez-me pensar no fediverse de que já aqui falei.)

Social Platform Directory no site do projeto Rebuild

Do meu lado, fiz a minha pequenina parte, assinando a Rebuild Letter que começa assim:

“Social platforms are not only products. They are where we communicate, organize, and govern ourselves. Today, this critical infrastructure is not our own. It divides our democracies and harms our children. Regulation was the first step on the path to change. Now it’s time to build.”

A minha assinatura da Rebuild Letter

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