Crianças brincam no Dado Gigante junto do Museu dos Coches em Lisboa

Abertos

Dados abertos

O podcast Mamilos foi criado em 2014 pelas publicitárias Juliana Wallauer e Cris Bartis. Descobri-o há poucos meses. Mais vale tarde do que nunca. É um podcast brasileiro que põe a debate temas atuais, com humor, linguagem descomplicada e convidados que sabem do que falam. Os temas são muito variados o que, como já referi, é algo que aprecio. No caso do Mamilos, com episódios com uma duração a rondar os 60 minutos, confesso que nem sempre me deixo tentar. Quando o tema não me chama de imediato, não “entro”; mas quando entro, é difícil sair a meio.

É o caso do episódio mais recente, dedicado a “Dados e políticas públicas“, com dois convidados de peso: Tabata Amaral, deputada federal e ativista pela educação, e Alexandre Schneider, educador e gestor público com longa experiência na formulação e implementação de políticas educacionais no Brasil.

É uma conversa em que se fala de como os dados (abertos) eles são fundamentais para a definição de políticas públicas mas como são insuficientes para a aprovação dessas políticas: insuficientes porque precisam do contexto das histórias da vida real; insuficientes porque a Internet inventa e amplifica narrativas que polarizam o debate e desviam o foco do que interessa.

É muito interessante ouvir as estratégias, o esforço, o tempo necessário para que as medidas sejam aprovadas. É uma pena perceber que a energia destas pessoas é gasto em guerras de bastidores em vez de ser aproveitada para fazer mais coisas boas acontecer.

“Eu sinto que a Internet está pautando a vida, e não a vida pautando a Internet.”
Tabata Amaral

“Todas as crises que eu tive nas duas gestões que eu participei em São Paulo, a gente respondia com abertura de dados.” 
Alexandre Schneider

No Cidadania 2.0, há vários exemplos de projetos, portugueses e brasileiros, que recorrem a dados abertos públicos.

E fiquei seriamente a pensar se devia contactar a Tabata para lhe falar do projeto GRAV: não descolou aqui em Portugal mas talvez pudesse voar no Brasil.

Abertos a escutar

Continuando no tema da escuta e do diálogo genuíno…

“A Christian, a Muslim, and a Jew walk into a bar.” Assim começa este discurso de Noah Eckstein.

Noah Eckstein é um recém-licenciado de Harvard e foi o orador escolhido para o discurso de finalistas da cerimónia de graduação de 2026. Usou os seus dez minutos para falar da sua família “multi-religião”, e argumentar que o antídoto para a polarização não é o acordo forçado, mas a vontade genuína de compreender quem pensa de forma diferente.

“You cannot change a world that you refuse to understand.”

“Listen like you might be wrong.”


Foto: O meu filho e um amigo a brincar no Dado Gigante, e aberto, que se encontra junto do Museu dos Coches em Lisboa.

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