Resiliência digital
O meu ex-colega James Dellow escreveu um artigo muito rico que fala de Sistemas Sócio-Técnicos e explora um padrão recorrente na história do trabalho intelectual: cada vez que criamos uma nova camada de abstração ao conhecimento (através de ferramentas, plataformas, fórmulas, ou modelos como a IA Generativa), ganhamos eficiência, mas perdemos algo intangível e crítico: os caminhos informais de transmissão de conhecimento e experiência.
“The pattern keeps repeating because the productivity gains are always real and always immediate. The losses are always slow, always invisible, and always social.”
No seu artigo, que vale bem a pena ler, o James revê o conceito de resiliência digital à luz dos nossos dias, agora com a existência alargada de IA generativa:
“Digital resilience in the Gen AI era is not about using the tools well. It is about understanding what the tools are doing to the social system around the work, and making deliberate choices about what to protect.”
A automação e a IA estão a transformar o que fazemos e como aprendemos a fazê-lo.
Para mim, e acredito que o James concorde, o enorme risco é que, com tudo isto:
- vamos perdendo as razões pelas quals fazemos as coisas desta ou daquela maneira – o que significa que se há uma mudança de contexto, podemos não reconhecer a necessidade de adaptar, não saber adaptar ou não ser capazes de adaptar em tempo útil
- como não aprendemos pelo erro, o conhecimento está muito menos “embrenhado” em nós – o que significa que é mais facilmente “esquecido”, sai menos naturalmente, não existe em quantidade suficiente para que possamos ter aquelas sensações de que algo está mal e que são tão, tão importantes para evitar erros, acidentes e situações críticas.
Nem de propósito, quando me preparava para, esta semana, apresentar apenas esta sugestão, o LinkedIn trouxe-me outra que encaixa aqui que nem uma luva.
Impacto cognitivo da IA
O Ross Dawson criou um modelo a que chamou “The 8 levels of cognitive impact of AI”. No seu breve post, escreve:
“It’s true: using AI can erode our cognition. But only if we let it. We can choose how we interact with AI so that it enhances our cognition, potentially to the point that we think better even after the AI is taken away.”
O nível mais baixo é o corrupção cognitiva; o oitavo é cognição melhorada (enhanced cognitiion).

“But simply beginning to be aware of how your thinking is impacted by your AI use allows you to change and improve.”
“Anti-Alzheimer”
Ao escrever esta segunda sugestão lembrei-me de ter ouvido o Stuart French uma vez falar de como criou um “dispositivo” para o ajudar a manter presente o conhecimento que foi acumulando ao longo de toda a sua vida. Apresentou-o como a forma de se precaver para o caso de, com o avançar da idade ou em caso de doença, começar a não ter presente na memória o que precisa para continuar a acrescentar valor na sua atividade profissional.
O post “Building my own AI-based anti-Alzheimer’s device” descreve o que ele fez, criando uma solução de AI na sua máquina com acesso apenas aos documentos, notas, apresentações, artigos, etc., que foi criando e colecionando.





