Cómo Impulsionar la Inteligencia Colectiva

Cómo Impulsar la Inteligencia Colectiva

Acabei de ler Cómo Impulsar la Inteligencia Colectiva, o último livro de Amalio A. Rey. Nele, Amalio dá provas do seu vasto conhecimento e experiência na conceção e facilitação de processos participativos para “chegar a acordos em torno de desafios comuns que até agora têm sido geridos por apenas uns poucos”. Amalio partilha 101 princípios ou recomendações práticas muito bem fundamentadas na sua experiência acumulada e coerentes com a teoria que partilhou no seu primeiro livro: El Libro de la Inteligencia Colectiva.

O livro é como um suculento e bem organizado buffet que se pode desfrutar sem necessariamente ter de provar todos os pratos. Não é preciso seguir todas as suas recomendações, basta escolher algumas e ser consistente na sua aplicação para ver uma mudança positiva na sua prática e nos resultados dos processos participativos que se pretenda facilitar.

Para além da grande utilidade das suas recomendações, Amalio novamente uma grande capacidade de organizar o seu material e o dos outros de forma atraente e coerente, o que o torna um excelente divulgador.

Sem menosprezar o anteriormente escrito, há dois aspectos interrelacionados de que sinto falta.

O primeiro é: onde está Amalio? Ninguém dedica uma vida a algo com esta perseverança se não for movido por algo que brota do mais profundo do seu ser. A fonte profunda em Amalio aparece aqui e ali, como por exemplo quando na introdução escreve: “Hay emoción y belleza en todo esto”

Senti pena que não tivesse sido mais explícito: para não apenas me levar a ação mas também para me comover. Uma consequência desta ausência é que em nenhum lugar aparece a figura do ativista nos processos participativos. Por baixo da sua experiência profissional e coerência teórica, suspeito que Amalio é um ativista de algo que neste livro não explicita.

O segundo aspecto é a diferenciação entre trabalhar com processos participativos em ambientes com limites definidos e hierarquicamente estruturados, como por exemplo organizações e empresas, e ambientes difusos e emaranhados, como por exemplo territórios ou cadeias de valor. 

A diferença emerge em numerosas ocasiões, sobretudo nos princípios sobre governança (páginas 92 a 101), mas não com a clareza suficiente para que, alguém com menos experiência que Amalio, aprenda que a diferença não é trivial quando se trata de definir o quê (págs. 1 a 5), o porquê (págs. 6 a 14) e quem (págs. 15 a 27).

A relação entre as duas ausências é que quanto mais difuso e emaranhado é o ambiente, mais necessário é atuar como um ativista, mostrando explícita e transparentemente a fonte a partir da qual se atua.


Em resposta a esta análise, Amalio A. Rey escreveu no LinkedIn:

“Onde está Amalio? Bom, quis distanciar-me do assunto, não me envolver demasiado emocionalmente. Optei por examiná-lo com rigor e cingindo-me às evidências, evitando parecer um ativista. Admiro e respeito os ativistas, mas foi uma decisão deliberada não optar esse papel neste livro. Espero que a emoção e a beleza esteja visível entre linhas. E se estão mesmo em falta, que sejam os leitores a pô-las nos seus projetos.”


Capa do livro Cómo Impulsar la Inteligencia Colectiva de Amalio A. Rey

Sobre o livro:
Cómo Impulsar la Inteligencia Colectiva: Principios para una Participación Efectiva
Amalio A. Rey. Editorial Almuzara, Espanha, 2025.

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